
O deputado federal Fernando Mineiro afirmou que “a máscara caiu definitivamente” após o vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens, divulgadas pelo Intercept Brasil, tratam de negociações financeiras para a produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso repercutiu entre políticos do Rio Grande do Norte, especialmente lideranças do Partido dos Trabalhadores, que cobraram posicionamentos de aliados bolsonaristas no Estado.
Em entrevista ao Diário do RN, Mineiro ironizou a relação entre o grupo político e o Banco Master. “A máscara caiu definitivamente. O rapaz que estrelou a fantástica fábrica de chocolate agora está estrelando o poderoso chefão”, declarou.
O parlamentar também questionou o orçamento do projeto cinematográfico, que, segundo a publicação, pode chegar a R$ 134 milhões. “Você veja, R$ 134 milhões que certamente não foi para um filme. Filmes brasileiros indicados ao Oscar mobilizaram menos recursos do que isso”, afirmou.
Mineiro ainda elevou o tom ao comentar a atuação da família Bolsonaro. “Ficou escancarado para o Brasil o caráter e as atitudes dessa família. Uma família que pensa em saquear o país e faz tudo por dinheiro”, disse.
O deputado federal também criticou o silêncio de parlamentares bolsonaristas do Rio Grande do Norte. “Até agora estão calados, não falaram nada, mas é importante que venham a público se pronunciar sobre isso”, declarou.
Na avaliação do petista, o episódio reforça suspeitas sobre a proximidade entre integrantes do bolsonarismo e o Banco Master. “Está muito claro quem se beneficiou com isso. É o Bolso Máster, claramente”, afirmou.
A presidente estadual do PT, Samanda Alves, também comentou o caso. Segundo ela, o conteúdo das mensagens amplia os indícios de ligação política e financeira entre a família Bolsonaro e o banco.
“A notícia de Flávio Bolsonaro negociando diretamente mais de R$ 130 milhões para bancar um filme do pai dele é mais uma prova do envolvimento da família Bolsonaro no centro desse escândalo do Banco Master”, declarou.
Samanda também citou outros episódios relacionados ao banco e ao entorno bolsonarista. “Tem o empréstimo de avião para campanha, as doações milionárias e até a atuação de marqueteiros ligados à disseminação de fake news. Está muito claro que a família Bolsonaro está no centro desse escândalo criminoso”, afirmou.
Parlamentares ligados ao ex-presidente também foram procurados pela reportagem. O deputado federal General Girão informou, por meio da assessoria, que não irá comentar o caso por orientação jurídica. Já a deputada federal Carla Dickson não respondeu aos contatos.
As mensagens analisadas pelo Intercept Brasil também mencionam o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-secretário especial da Cultura Mário Frias, apontado como roteirista do longa-metragem.
Nos áudios divulgados, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com a continuidade da produção cinematográfica diante da falta de recursos. “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, Daniel, eu fico sem graça de ficar te cobrando. Mas é porque está num momento muito decisivo aqui do filme”, afirmou o senador.
Em outro trecho, ele menciona atrasos financeiros relacionados ao projeto. “Como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso. Imagina a gente dando calote nos atores, no diretor, na equipe. A gente perde tudo”, declarou.











