
O volume de água no Rio Piranhas, na altura da captação da adutora Manoel Torres, registrou uma elevação significativa nesta sexta-feira (15), atingindo 3,80 metros na régua de medição e transbordando o muro do lago, num cenário que remete à sangria de um açude. As águas da transposição do Rio São Francisco seguem, a partir desse ponto em Jardim de Piranhas, rumo à Barragem Oiticica, num trajeto de aproximadamente 30 quilômetros.
Durante a manhã, uma visita técnica foi realizada por representantes do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e do Governo do Estado, com o objetivo de verificar de perto o volume hídrico que começa a alcançar o Rio Grande do Norte por meio do projeto de integração das bacias hidrográficas.
Entre registros e emoção, o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Paulo Varella, descreveu o momento como singular: “Foram 300 metros mágicos”, disse ao se referir ao trecho em que a equipe percorreu, de pés descalços, em meio ao fluxo que ultrapassava o muro do reservatório.
Água que transforma
Presente nas redes sociais, a governadora Fátima Bezerra compartilhou a emoção com um relato pessoal:
“A emoção que estou sentindo neste momento, vendo as águas do São Francisco chegarem ao Rio Grande do Norte, eu trago de muito tempo. Lembro, o ano era 1970. A seca braba, a sede, a fome humilhando, tirando a vida não só dos animais, mas de muita gente também. Os flagelados da seca nas ruas, lá em Nova Palmeira, esperando por um mingau, um pedaço de pão, uma angústia desesperada para encontrar uma cacimbinha que pudesse matar um pouco a nossa sede.”
Ela classificou a chegada das águas como um dos episódios mais marcantes de sua trajetória:
“Hoje, na condição de governadora, junto com o presidente Lula, especialmente o povo potiguar, estamos vivendo este momento, este instante. É o São Francisco. Água para sempre, seca nunca mais. Este é, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes da minha história que irei guardar para sempre.”
Operação segue até dezembro
Segundo Procópio Lucena, diretor do Instituto de Gestão de Águas do RN (Igarn), a operação para garantir o abastecimento pelo canal da transposição se estenderá até o fim deste ano. O plano operativo para 2026 já está concluído, antecipando a continuidade do fornecimento.
Já Bruno Cravo, diretor do Departamento de Projetos Estratégicos da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica, destacou o desafio superado:
“Levar água por leito de rio não é trivial, mas conseguimos fazer tudo como previsto.”
Na próxima terça-feira (19), está prevista nova visita da governadora, acompanhada do ministro Waldez Góes, à estação de bombeamento da Caern e à Barragem Oiticica, que será o destino final das águas da transposição nesta etapa.













