
A escritora mineira Ana Maria Gonçalves foi eleita para ocupar a cadeira de número 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira mulher negra a integrar a instituição desde sua fundação, em 1897. Ela recebeu 30 dos 31 votos, consolidando sua entrada na entidade que é considerada um dos maiores símbolos da literatura nacional.
Autora do romance Um Defeito de Cor, Ana Maria é reconhecida por utilizar a literatura como instrumento para discutir questões raciais. Além de escritora, também atua como roteirista, dramaturga, professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais.
“Eu parabenizo Ana Maria Gonçalves por esse grande feito, por sua escrita impecável e pelas importantes bandeiras que carrega”, celebrou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Ana Maria assume a vaga que era do filólogo Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano. A cadeira 33 da ABL foi disputada por 12 candidatos, mas a escritora mineira obteve ampla maioria dos votos.
No ano passado, em novembro, a ministra Margareth Menezes visitou a exposição Um Defeito de Cor no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador (BA). A mostra foi inspirada no livro homônimo de Ana Maria Gonçalves e estava organizada em dez ambientes, que refletiam os dez capítulos da obra. Os temas abordados incluíam o feminino, os povos originários, a relação com a natureza, manifestações religiosas, ancestralidade e a reconstrução da narrativa sobre a escravidão, tanto no Brasil quanto na África.













