
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém sob investigação 13 notificações de suspeita de Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica (Noia) em pacientes que utilizaram medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. A apuração busca verificar se existe alguma relação entre o uso dessas medicações e a ocorrência do quadro oftalmológico.
As notificações envolvem os medicamentos Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. A presença do medicamento e da doença em uma mesma notificação, porém, não comprova que o tratamento tenha provocado a neuropatia.
Segundo as informações apresentadas, a investigação ainda está em fase preliminar e não tem caráter punitivo ou conclusivo.
O que é a Noia
A Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica é uma lesão no nervo óptico provocada pela interrupção do fluxo sanguíneo nos pequenos vasos responsáveis por irrigar a região. A redução da oxigenação pode levar à morte de células nervosas e provocar perda súbita da visão.
O oftalmologista Rubens Belfort Neto, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a condição é rara e atinge principalmente pessoas com diabetes, grupo que apresenta maior vulnerabilidade vascular.
Notificações registradas pela Anvisa
Desde 2018, o sistema de farmacovigilância da Anvisa registrou 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica. Desse total, 12 citações envolvem especificamente o uso de canetas.
O volume de relatos é considerado baixo diante da ampla utilização desses medicamentos. A ocorrência de uma notificação também não permite estabelecer, isoladamente, uma relação de causa e efeito entre a medicação e a doença.
Em junho de 2025, a Anvisa determinou que a Noia fosse incluída na bula dos medicamentos à base de semaglutida como uma reação adversa rara. A alteração teve caráter preventivo e busca alertar pacientes que já apresentam histórico da doença.
Estudos internacionais, incluindo uma pesquisa publicada na revista JAMA Ophthalmology, apontam riscos elevados para alguns grupos. Especialistas, entretanto, consideram que condições de saúde dos próprios pacientes, como o diabetes, também precisam ser levadas em conta na avaliação dos casos.
Orientação sobre o uso dos medicamentos
Especialistas afirmam que, para a maioria dos pacientes, os benefícios dos tratamentos para obesidade, diabetes e hipertensão superam o risco potencial relacionado à Noia.
A principal preocupação está relacionada ao uso sem acompanhamento médico e à utilização dos medicamentos exclusivamente para fins estéticos. Diante de qualquer alteração na visão, médicos recomendam interromper imediatamente o uso e buscar avaliação profissional.
Também é indicada a realização periódica de exames da retina, especialmente entre pacientes que fazem tratamento com esses medicamentos.
O que dizem as fabricantes
A Novo Nordisk informou que análises de ensaios clínicos robustos não identificaram aumento na incidência de Noia entre participantes que receberam semaglutida. A empresa mantém, segundo o texto, a avaliação de que o perfil de benefício-risco dos medicamentos permanece favorável.
A Eli Lilly, por sua vez, afirmou que acompanha de forma ativa as informações relacionadas à segurança de seus medicamentos e mantém discussões contínuas com as autoridades regulatórias.













