
A suspensão de quatro marcas de pós decorativos usados em confeitaria, anunciada pela Anvisa na última quinta-feira (13), reacendeu a preocupação sobre a segurança de produtos aplicados diretamente em bolos e sobremesas. A agência proibiu a fabricação, distribuição e comercialização de itens que continham polipropileno (PP) micronizado, um tipo de plástico não autorizado para uso alimentar, entre seus componentes.
Foram retirados do mercado produtos como Glitter Glow e Glitter Shine, da Iceberg Chef; Flocos de Ouro, Prada e Rose Gold, Pó de ouro, Pó para decoração e Brilho para decoração, da Jeni Joni; Glitter para Decoração, da Jady Confeitos; e Glitter Para Decoração, da Glitz, da empresa Fab.
O uso crescente desse tipo de brilho em festas infantis levou especialistas a reforçar o alerta. A nutricionista Eva Andrade, professora de Nutrição da Estácio, explica que a ingestão de partículas não digeríveis pode gerar efeitos químicos e inflamatórios no organismo.
“Os riscos são ainda maiores para crianças, que possuem menor peso corporal e maior vulnerabilidade fisiológica”, ressalta.
Ela afirma que os microplásticos não são metabolizados pelo corpo humano e podem provocar irritação intestinal, inflamação e acúmulo de substâncias tóxicas. Estudos apontam possíveis impactos cumulativos, como alterações metabólicas, imunológicas e hormonais.
A especialista orienta pais, responsáveis e confeiteiros a verificarem a procedência dos itens utilizados. Apenas produtos rotulados como comestíveis, com lista completa de ingredientes, número de lote, validade e autorização da Anvisa, devem entrar em contato direto com alimentos.
Alternativas seguras para decoração
Para manter o apelo visual das sobremesas sem comprometer a saúde, a nutricionista recomenda o uso de corantes naturais, como beterraba, cúrcuma, espinafre, urucum, açaí e carvão vegetal, além de purês ou extratos de frutas para cores mais suaves.
Segundo ela, outra solução é apostar em adornos externos.
“Também é possível utilizar placas decorativas não comestíveis, feitas de papel, bambu ou acrílico, colocados apenas sobre o alimento, mas não comestíveis. Essas alternativas mantêm a atratividade visual das preparações sem comprometer a segurança alimentar e a saúde das crianças”, orienta.
A Anvisa reforça que dúvidas sobre composição ou suspeitas de irregularidades devem ser comunicadas à vigilância sanitária local ou diretamente à agência.
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