
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), afirmou que enfrenta “de cabeça erguida” a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão no município e reiterou que é inocente. Em entrevistas concedidas após a deflagração da ação, o gestor declarou confiar na Justiça, mas passou a questionar a origem das informações que teriam fundamentado a investigação.
Ao comentar os motivos que levaram à atuação da Polícia Federal, Allyson sugeriu que dados imprecisos ou distorcidos podem ter sido apresentados às autoridades. “Tem que ver qual tipo de informação que foi apresentada, porque se é apresentada uma informação que não é verídica, pode estar se induzindo a Justiça ou as instituições a cometerem algum tipo de ação naquela informação que foi apresentada, talvez de forma errada”, disse.
Em outro momento, o prefeito afirmou que a apuração é um direito das instituições e que as decisões cabem ao Judiciário. “A Justiça tá no seu direito de apurar. Se o melhor caminho é esse ou aquele, cabe à Justiça decidir. Não cabe a mim como político decidir”, declarou. Segundo ele, a defesa está analisando o processo sob o ponto de vista jurídico, após reuniões com advogados.
Apesar das declarações, a operação foi autorizada pela Justiça com base em investigação conduzida pela Polícia Federal, que envolve análise técnica e indícios considerados suficientes para a adoção de medidas como buscas e apreensões. Até o momento, não há manifestação oficial das autoridades indicando falhas nos procedimentos adotados.
Allyson afirmou que só se pronunciou publicamente por acreditar em sua versão dos fatos. “Se eu não tivesse a clareza, se eu não tivesse a condição de dizer a verdade, eu não estaria aqui. Eu estou aqui porque acredito muito no que estou dizendo e estou mostrando dados e fatos do meu trabalho”, afirmou. O prefeito, no entanto, não detalhou quais dados ou pontos da investigação considera equivocados.
Durante a entrevista, uma pergunta enviada pela ex-deputada federal Sandra Rosado provocou comparação com episódios envolvendo outros gestores. “Algum prefeito de Mossoró por acaso teve busca e apreensão em sua casa?”, questionou. Allyson classificou a pergunta como “interessante” e citou investigações anteriores no Rio Grande do Norte, como casos relacionados à Arena das Dunas e ao Governo do Estado, sugerindo diferenças na condução das apurações.
Questionado se considerava que houve excesso em seu caso, respondeu: “Não cabe a mim falar sobre isso. Eu deixo para a população avaliar”. Em seguida, voltou a mencionar investigações de grande repercussão, como o caso dos respiradores durante a pandemia. “Foi comprovado, não é questão de suspeita. A governadora passou pelo que eu estou passando”, disse.
Ao mesmo tempo, o prefeito afirmou não ter responsabilidade direta sobre os fatos investigados, sem indicar quem seriam os envolvidos. A posição contrasta com declarações anteriores, nas quais dizia ter controle sobre os gastos da gestão municipal. “Eu tenho controle de tudo que é de gasto. Não existe esse negócio de abre-aspas: ‘banda voou’. Não existe esse negócio de abre-aspas: ‘casa de Mãe Joana’. Tem controle”, afirmou em entrevista anterior.
A investigação segue em andamento, e caberá à defesa apresentar, no processo, eventuais questionamentos sobre os fundamentos da operação, enquanto a apuração continua no âmbito judicial.
*Com informações do Diário do RN.













