
O Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Rio Grande do Norte (SIESAL‑RN) emitiu nesta segunda-feira (14) uma nota técnica criticando duramente a tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre a importação de sal brasileiro. A instituição afirma que a medida “vai excluir o sal nacional do mapa de negócios com as empresas americanas”, impactando de forma dramática o setor, já que o RN responde por 98% da produção nacional do produto.
A sobretaxa, que começa a vigorar em 1º de agosto, ameaça 4 000 empregos diretos em municípios do Semiárido Potiguar, além de gerar efeitos em toda a cadeia produtiva – transporte, comércio e logística –, segundo o sindicato. A nota ressalta também que a tarifa compromete a operação do Terminal Salineiro Intersal, o Porto Ilha, cuja atividade é completamente dedicada à movimentação de sal.
De acordo com o presidente do SIESAL‑RN, Airton Torres, os EUA respondem por 47% das exportações brasileiras de sal nos últimos seis anos, absorvendo cerca de 27% das vendas via Porto Ilha – em média, 530 000 toneladas por ano. O consumo americano de sal importado chega a 16 milhões de toneladas, enquanto o mercado interno brasileiro é de cerca de 7 milhões de toneladas por ano, o que evidencia a dependência do setor do mercado externo.
A imposição da tarifa coloca o produto brasileiro em posição de desvantagem competitiva em relação a concorrentes como Chile, Egito, Namíbia e México, cujos produtos brasileiros pagam sobretaxas menores. E embora se cogite a abertura de novos mercados na Ásia ou Europa, os custos logísticos e a autossuficiência dessas regiões tornam a planta potiguar com pouca capacidade de realocação das exportações.
A nova medida é parte de pacote anunciado por Donald Trump, que aumentou tarifas de 10% para 50% sobre sal e outros produtos brasileiros. O presidente dos EUA justificou o aumento como retaliação ao que classificou como retórica antidemocrática no Brasil e à agressividade contra empresas digitais americanas . A reação do governo brasileiro, liderado por Lula, incluiu promessas de retaliação com base na Lei da Reciprocidade Econômica .
Diante deste cenário, o SIESAL‑RN conclui que “o sal é estratégico e a derrocada da indústria salineira jogará o Brasil na dependência da importação”. A tarificação pode provocar ainda descontinuidade operacional no Porto Ilha, risco à competitividade nacional e perda irreversível de mercado e renda para a região do Seridó.
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