
Os bancários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve no Rio Grande do Norte após rejeitarem, por unanimidade, a proposta apresentada pelo banco em assembleia realizada na sexta-feira (11). No Banco do Brasil, os empregados aprovaram o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e encerraram a paralisação no estado.
A decisão dos trabalhadores da Caixa está relacionada principalmente às mudanças propostas para o Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado aos empregados e dependentes. O Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB-RN) afirma que a proposta elevaria os custos para os usuários ao alterar regras de coparticipação e mensalidades.
De acordo com os cálculos apresentados pelo sindicato, o limite anual de coparticipação passaria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil. A proposta também prevê uma cobrança adicional de R$ 150 por atendimento em pronto-socorro, valor que não seria incluído no limite anual.
Além disso, seriam mantidas as mensalidades de acordo com a faixa etária, com aumento dos custos para dependentes.
“A categoria rejeitou essa proposta absurda, que a Caixa está tentando empurrar através de assédio aos bancários. Aqui no RN essa ameaça não se cria. Nossa greve está mais forte. Vamos para cima”, afirmou o diretor do SEEB-RN Chiquito Neto.
Segundo o sindicato, os trabalhadores potiguares decidiram permanecer em greve até que novas negociações apresentem avanços.
Banco do Brasil encerra paralisação
No Banco do Brasil, os empregados do Rio Grande do Norte aprovaram a proposta negociada e decidiram pelo fim da greve. A categoria voltou ao trabalho após a assembleia.
O coordenador do SEEB-RN, Alexandre Cândido, afirmou que a aprovação do acordo por grandes bases sindicais do país influenciou a decisão no estado.
“Bancárias e bancários do Banco do Brasil, população do Rio Grande do Norte, acabou a greve no Banco do Brasil, acabou a Assembleia, foi votada pela aceitação da proposta no Banco do Brasil. Teve avanço? Não. Infelizmente, a Contraf-CUT desmanchou, desmontou o movimento grevista, um movimento forte que exigia melhorias nas propostas”, declarou Cândido.
Segundo ele, o sindicato considera que o acordo aprovado não contempla as reivindicações apresentadas pela categoria.
“As propostas continuam as mesmas, com prejuízo à categoria bancária”, disse.
Cândido também criticou o formato das assembleias virtuais realizadas em outras bases sindicais ligadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
“Mas eles fazem assembleias virtuais, com controle total no sistema de votação, que nós não sabemos aferir se aquilo ali é o correto, se aquilo ali é a vontade da base”, afirmou.
O coordenador também questionou informações divulgadas durante as negociações sobre o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
“E ainda impõem, através de fake news e mentiras, dizendo que a PLR não seria paga, se não fosse paga junto com as outras”, disse.
Decisão de outros estados influenciou votação
Para Cândido, a aprovação do acordo em grandes centros financeiros do país contribuiu para o encerramento da greve no Rio Grande do Norte.
“E, com medo, várias bases votaram, com a maioria do país, os grandes centros, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo já tinham aceitado, Minas Gerais, a proposta. O RN não poderia ficar sozinho nesta luta”, afirmou.
Apesar do fim da paralisação no Banco do Brasil, o coordenador disse que o sindicato pretende manter a mobilização da categoria e participar das próximas disputas sindicais.
“Nós vamos estar nas bases das oposições, fomentando as eleições dos companheiros que querem retirar esses sindicatos que estão ligados à Contraf-CUT, para que tenha uma renovação sindical e a gente consiga, enfim, ter uma campanha salarial que reflita os interesses da categoria bancária”, disse.
Greve começou na terça-feira (8)
Os bancários iniciaram a paralisação na terça-feira (8). Entre os bancos privados, o movimento durou um dia. A categoria aprovou a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que prevê correção salarial pela inflação, aumento real de 0,6%, renovação das cláusulas da convenção coletiva e manutenção das regras da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Com as decisões das assembleias, a situação no Rio Grande do Norte ficou diferente entre as instituições: os empregados da Caixa mantêm a greve, enquanto os trabalhadores do Banco do Brasil retomaram as atividades.














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