
O Brasil perdeu sete posições no ranking mundial de competitividade de 2025 e passou da 58ª para a 65ª colocação entre 70 países avaliados. O resultado reforça preocupações sobre a capacidade do país de atrair investimentos, estimular novos negócios e ampliar a geração de empregos de forma sustentável.
O levantamento considera cerca de 300 indicadores relacionados a fatores como qualidade da educação, custo de capital, desempenho do setor público e eficiência das empresas. Apesar de o país registrar crescimento econômico e um mercado de trabalho aquecido, especialistas avaliam que esses fatores, isoladamente, não têm sido suficientes para melhorar a posição brasileira.
Segundo a analista Lucinda Pinto, o desempenho do Brasil evidencia desafios estruturais que continuam limitando a competitividade nacional.
“Isso não é suficiente para garantir essa competitividade, porque o país não conseguiu ainda desenvolver esses outros aspectos”, afirmou.
Ela explicou ainda que “esse ranking de competitividade nada mais é do que uma maneira de medir a capacidade dos países de atrair investimento, atrair empresas, gerar negócios e gerar emprego”.
Os dez primeiros colocados do ranking são:
- Singapura
- Hong Kong
- Suíça
- Taiwan
- Emirados Árabes Unidos
- Dinamarca
- Irlanda
- Países Baixos
- Suécia
- Estados Unidos
De acordo com Lucinda Pinto, essas economias compartilham características como educação de qualidade, investimentos em tecnologia e inovação e custos de capital mais baixos.
“São tudo o que hoje são pontos de fragilidade do país”, destacou a analista.
Na parte inferior da classificação, o Brasil aparece atrás de países como Gana e Eslováquia e próximo de México, Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
Custo de capital é apontado como entrave
Entre os fatores que mais contribuem para o desempenho brasileiro está o elevado custo de capital. Para Lucinda Pinto, a situação cria um ciclo difícil de ser revertido.
A analista avalia que deficiências na educação comprometem o crescimento sustentável da economia e reduzem a produtividade. Como consequência, o país precisa conviver com juros mais elevados para atrair investidores.
“É uma roda negativa que tem sido difícil de quebrar”, resumiu.
Ela também observou que os países mais competitivos costumam oferecer maior previsibilidade e planejamento de longo prazo, características consideradas essenciais para a atração de investimentos.
A mesma avaliação é compartilhada por Hugo Tadeu, do Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.
“Os dados trazem perspectiva de que o custo de se fazer negócios no Brasil é cada vez mais alto, e isso tem dificultado não só as indústrias, como também as empresas nascentes”, afirmou Hugo Tadeu.
Outro indicador apontado por ele como motivo de preocupação é a formação bruta de capital fixo. Segundo o especialista, muitas indústrias interessadas em ampliar investimentos encontram no custo de capital um dos principais obstáculos para expandir operações e impulsionar o crescimento.
Para os analistas, esse cenário também ajuda a explicar por que parte dos recursos estrangeiros direcionados ao mercado financeiro brasileiro não se transforma em investimentos produtivos de longo prazo. Em meio à disputa internacional pela atração de empresas ligadas à inteligência artificial e às novas tecnologias, a perda de competitividade pode reduzir a capacidade do Brasil de participar desse movimento global.













