
O Brasil lançou nesta terça-feira (15) um foguete que transporta a Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), equipamento desenvolvido para funcionar como um laboratório espacial durante experimentos em condições de microgravidade. O lançamento foi realizado a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, na Grande Natal.
A missão prevê que o foguete ultrapasse 100 quilômetros de altitude, permitindo a realização dos experimentos embarcados na plataforma. Depois da etapa de testes, a PSM-R deverá retornar à Terra e ser recuperada por equipes da Força Aérea Brasileira (FAB).
A operação começou em 31 de agosto e tem previsão de conclusão em 19 de setembro. Com informações do g1 RN.
Caso a missão seja concluída com sucesso, será a primeira vez que uma pesquisa realizada com uma plataforma brasileira poderá ter os experimentos recuperados após um voo suborbital para análise posterior. Atualmente, os resultados de pesquisas brasileiras nesse tipo de missão são obtidos principalmente por meio de telemetria, com a transmissão dos dados à distância.
Plataforma brasileira
Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), a PSM-R tem capacidade para transportar até 50 quilos de experimentos científicos. O foguete utilizado na missão possui aproximadamente nove metros de comprimento, equivalente à altura de um edifício de três andares.
O desenvolvimento da plataforma integra os esforços para ampliar a capacidade brasileira de realizar pesquisas em condições de microgravidade e reduzir a dependência de equipamentos adquiridos de outros países.
“Seremos capazes de produzir nossa própria plataforma. É um avanço na direção de nossa autonomia em voos suborbitais”, afirmou o presidente da AEB, Marco Antonio Chamon.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, uma missão bem-sucedida pode ampliar as possibilidades de pesquisa em áreas como:
- novos materiais;
- combustão;
- medicamentos;
- fluidos;
- biologia;
- agricultura espacial.
Durante o voo, condições de microgravidade e exposição à radiação proporcionam ambientes que não podem ser reproduzidos integralmente na superfície terrestre.
Recuperação no mar
Após alcançar o ponto mais alto da trajetória e finalizar os experimentos, a plataforma iniciará o retorno à Terra. A primeira etapa será uma queda livre. Depois, será acionado um paraquedas guia, que reduzirá a velocidade e preparará a abertura do paraquedas principal.
O sistema foi projetado para possibilitar a recuperação da PSM-R intacta. Um GPS instalado no equipamento emitirá sinais de rádio com informações sobre a localização durante a descida e também após a chegada à água.
A previsão é de que a plataforma caia no mar e seja localizada por equipes da FAB com auxílio de um helicóptero. As coordenadas transmitidas pelo equipamento deverão orientar a operação de busca e retirada.
A área de queda é definida antes do lançamento, mas fatores ambientais, como ventos e correntes marítimas, podem alterar a posição final da plataforma.
Busca por autonomia espacial
O Brasil já utiliza plataformas que funcionam como laboratórios espaciais, mas esses equipamentos são atualmente adquiridos de outros países. A PSM-R representa uma iniciativa para desenvolver uma plataforma nacional que possa ser utilizada em lançamentos periódicos.
Além de ampliar a capacidade de realização de experimentos em voos suborbitais, o projeto busca criar condições para que o país tenha maior autonomia no desenvolvimento e na recuperação de pesquisas realizadas fora da atmosfera terrestre.













