
O crescimento do home office no Brasil tem provocado mudanças no comportamento de consumo e transformado cafeterias em espaços híbridos de convivência, produtividade e lazer. Com milhões de brasileiros atuando remotamente, estabelecimentos passaram a adaptar a estrutura para atender um público que busca ambientes confortáveis para trabalhar, estudar e realizar reuniões online.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 6,6 milhões de brasileiros trabalham atualmente em regime remoto. O cenário impulsionou o chamado “coffee office”, tendência em que cafeterias funcionam como alternativas aos escritórios tradicionais e ao trabalho em casa.
Para César Barreto, professor de Administração da Estácio, a mudança representa uma oportunidade estratégica para empreendedores do setor de alimentação e serviços.
“Hoje, as pessoas buscam ambientes que ofereçam conforto, praticidade e uma experiência agradável para trabalhar fora de casa. Não se trata apenas de vender café, mas de criar um espaço funcional e acolhedor, com internet de qualidade, tomadas acessíveis, mesas confortáveis e um ambiente propício à concentração”, explica.
O especialista afirma que a permanência prolongada dos clientes deixou de ser vista como um problema para os estabelecimentos. “Esse público tende a consumir mais de uma vez ao longo do período em que permanece no local. Além disso, quando o ambiente atende às expectativas, o cliente cria vínculo com o espaço e passa a frequentá-lo regularmente”, destaca.
Além das cafeterias, os coworkings também ganharam espaço na rotina de profissionais que procuram sair do isolamento do home office. Ambientes compartilhados oferecem estrutura adequada, internet de alta velocidade e espaços voltados à produtividade e interação social.
Em Natal, o SEBRAE-RN disponibiliza um espaço de coworking em sua sede no bairro Lagoa Nova, além de salas para locação e café no local. Já o Natal Shopping oferece uma área gratuita voltada para trabalho, estudos e reuniões online.
Segundo Felipe Furtado, a iniciativa acompanha as novas demandas do público.
“O shopping não é mais só um ambiente de compras, ele passou a fazer parte da rotina das pessoas de diferentes maneiras direcionadas à convivência. Seja para trabalhar, fazer uma reunião, passear, encontrar outras pessoas ou apenas mudar de ambiente, existe uma busca crescente por locais que ofereçam conforto, praticidade e bem-estar, então buscamos oferecer isso aos nossos clientes com nosso coworking e outras áreas comuns, como o Alpendre, a Alameda Gourmet e um mix de lojas que estejam alinhadas a essa nova forma de fazer varejo”, finaliza Felipe Furtado.
A tendência reflete mudanças no comportamento profissional e social dos trabalhadores remotos, que passaram a buscar espaços mais dinâmicos, colaborativos e adaptados às novas formas de trabalho.
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