
Um estudo realizado a partir de dados do Sabará Hospital Infantil identificou uma relação entre condições ambientais e o aumento da procura por atendimento e das internações de crianças com doenças respiratórias. A pesquisa analisou mais de 24 mil consultas e quase 3 mil internações, considerando fatores como temperatura, umidade, períodos secos e concentração de ozônio. A informação é da CNN.
Os resultados serão apresentados durante o 8º Congresso Internacional Sabará-Pensi de Saúde Infantil, realizado entre esta quinta-feira (1º) e sábado (3), em São Paulo. O evento reúne profissionais para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde infantil.
Coordenado pelo pesquisador William Cabral, do Instituto Pensi, o levantamento utilizou inteligência artificial para cruzar informações ambientais com registros de atendimento do hospital. A unidade recebe cerca de 100 mil crianças por ano, e aproximadamente metade dos pacientes apresenta problemas respiratórios.
Embora as temperaturas baixas sejam tradicionalmente associadas ao aumento das doenças respiratórias, o estudo aponta que períodos de calor também podem estar relacionados à maior procura por atendimento e às internações. A pesquisa identificou associações distintas entre temperatura, umidade e concentração de ozônio conforme o tipo de doença analisada.
“Essas crianças que foram expostas a dias mais secos também estavam associadas aos casos de internação por doença respiratória”, afirmou o pesquisador.
Calor e poluição
O gerente médico e infectologista do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo de Oliveira, explica que períodos de temperaturas elevadas podem ser acompanhados pelo aumento da concentração de poluentes e partículas no ar.
Segundo ele, essa combinação pode agravar doenças respiratórias, como a asma, e elevar a necessidade de atendimento médico. O risco pode ser maior quando as altas temperaturas estão associadas à baixa umidade.
Impacto em áreas vulneráveis
As consequências das condições climáticas também podem variar de acordo com o local onde a criança vive. Regiões com pouca arborização, maior circulação de veículos e condições precárias de moradia podem proporcionar maior exposição ao calor e à poluição.
Além dos fatores ambientais, questões sociais e o acesso aos serviços de saúde podem interferir na gravidade dos quadros apresentados por crianças expostas a condições ambientais adversas.
Doenças infecciosas
As mudanças climáticas também podem interferir na circulação de doenças transmitidas por mosquitos, entre elas dengue, chikungunya e zika.
De acordo com Francisco Ivanildo, mudanças no regime de chuvas, períodos de seca e formas de armazenamento de água podem contribuir para a formação de criadouros do mosquito transmissor.
Inteligência artificial
O uso da inteligência artificial na área da saúde também integra os debates do congresso. Entre as possibilidades avaliadas está o cruzamento de informações ambientais para identificar períodos com maior demanda por consultas e internações pediátricas.
A tecnologia poderia auxiliar hospitais no planejamento para períodos de calor extremo, baixa umidade e maior concentração de poluentes.
Para o infectologista, o uso de ferramentas tecnológicas deve ser acompanhado pela orientação às famílias. Em períodos de temperaturas elevadas, clima seco e maior presença de poluentes, a recomendação é ampliar os cuidados com a exposição das crianças ao ambiente externo.













