
Com a chegada do verão e a elevação das temperaturas, cresce o risco de insolação em cães e gatos, condição considerada grave e que pode evoluir rapidamente. O alerta é do médico-veterinário Johnatan Henrique Santos, do Centro Médico Veterinário (CMV) da Universidade Potiguar (UnP), instituição que integra o Ecossistema Ânima. Segundo o especialista, a exposição prolongada ao calor exige atenção redobrada dos tutores, sobretudo durante o período de veraneio.
O veterinário explica que o organismo dos pets possui limitações naturais para o controle da temperatura corporal. Diferentemente dos humanos, cães e gatos dissipam calor principalmente pela respiração e pelas patas, o que reduz a eficiência desse mecanismo. Atividades comuns, como passeios em horários inadequados, exercícios sob sol forte ou permanência em ambientes abafados, podem elevar rapidamente a temperatura corporal.
Durante o verão, o cuidado deve ser ainda maior para tutores que costumam levar os animais à praia. “A areia pode causar queimaduras nas patas e o calor refletido intensifica ainda mais a sensação térmica, aumentando significativamente o risco de insolação. Nem todos os pets estão adaptados a esse tipo de exposição, por isso o ideal é evitar a praia nos horários mais quentes do dia”, orienta Johnatan.
Algumas raças apresentam maior vulnerabilidade, especialmente os animais braquicefálicos, como Bulldog, Pug, Shih-tzu, Boxer e Persa, que possuem focinho curto e vias aéreas mais estreitas. “Essas características anatômicas dificultam a troca de calor pela respiração, fazendo com que esses pets se cansem mais rápido e tenham maior risco de superaquecimento”, destaca o especialista.
Além disso, animais idosos, obesos ou com doenças cardíacas e respiratórias demandam atenção especial. De acordo com o veterinário, o envelhecimento reduz a capacidade de termorregulação e, em muitos casos, a percepção de sede, o que favorece quadros de desidratação.
Os sinais de alerta incluem respiração intensa, salivação excessiva, gengivas avermelhadas, fraqueza, vômitos e desorientação. Em situações mais graves, podem surgir convulsões e perda de consciência. Diante desses sintomas, a recomendação é buscar atendimento veterinário imediato, já que o tempo de resposta é determinante para a recuperação do animal.
Medidas preventivas
A hidratação é apontada como um dos principais pilares da prevenção. Segundo Johnatan, a água deve estar sempre limpa, fresca e acessível. Para estimular a ingestão hídrica, algumas estratégias podem ser adotadas:
- distribuir vários potes de água pela casa;
- utilizar fontes de água corrente;
- oferecer gelo próprio para pets;
- acrescentar pequenas quantidades de água à ração;
- optar por alimentos úmidos, com orientação veterinária.
“Essas medidas estimulam o consumo de líquidos e ajudam a evitar a desidratação, especialmente em dias mais quentes”, explica.
Os banhos refrescantes também podem auxiliar, desde que realizados corretamente. “O banho pode ajudar na redução da temperatura corporal, mas deve ser feito com água em temperatura ambiente, nunca gelada, para evitar choque térmico”, orienta o veterinário. Tapetes refrescantes, toalhas úmidas e ambientes ventilados ou climatizados são alternativas recomendadas.
Para reduzir os riscos, o especialista reforça cuidados básicos no dia a dia: garantir sombra e ventilação, evitar passeios entre 8h e 16h, inclusive trajetos curtos, e jamais deixar o animal dentro de carros fechados, mesmo por poucos minutos. “A prevenção ainda é a melhor forma de cuidado. Pequenas atitudes no dia a dia fazem toda a diferença para garantir o bem-estar e a saúde dos pets”, conclui.













