
Em alusão ao Dia Mundial da Alfabetização, celebrado nesta segunda-feira (8), os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE) reforçam a urgência de ações voltadas à inclusão educacional no Rio Grande do Norte. O estado apresenta uma taxa de analfabetismo de 10,4%, quase o dobro da média nacional, que é de 5,3%. Entre a população com mais de 60 anos, esse índice sobe para preocupantes 27,8%.
Para enfrentar esse cenário, iniciativas como o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos, promovido gratuitamente pela Estácio em parceria com o Instituto Yduqs, têm sido fundamentais. O projeto atende adultos que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever na infância, promovendo inclusão, autonomia e cidadania.
Educação que transforma
Aos 73 anos, Iraci Benedita é uma das alunas beneficiadas pela ação. “Antes eu dependia dos outros até para ler um letreiro de ônibus. Agora já consigo ler sozinha e até mexer no celular, coisa que eu tinha medo de fazer”, relata. Sua história representa milhares de pessoas que, mesmo na terceira idade, buscam retomar a educação básica.
Outro exemplo é José Wilson, de 45 anos, trabalhador da área de manutenção hidráulica, que reencontrou a chance de aprender após conhecer o programa.
“Conheci o projeto pela televisão e me inscrevi. Eu sabia muito pouco, errava para escrever coisas simples. Hoje, já finalizei os dois módulos e estou fazendo um reforço a mais”, conta.
Segundo ele, a alfabetização não apenas ampliou seus conhecimentos, mas também transformou sua relação com a informação. “As professoras orientam a gente a procurar sempre um jornal, uma revista, a criar o hábito de ler. Hoje eu indico para qualquer pessoa que tenha a mesma dificuldade que eu tinha.”
Impacto social e pedagógico
Coordenadora do projeto em Natal, a pedagoga Jeanne Maciel destaca que o impacto da iniciativa vai muito além do aprendizado formal.
“Esses alunos buscam, sobretudo, autonomia. Querem pegar um ônibus sozinhos, preencher uma ficha em um posto de saúde ou tirar a carteira de motorista. Além de aprender a ler, eles ganham a confiança necessária para vivenciar todas as atividades que um cidadão comum precisa no seu dia a dia.”
Novas turmas previstas para 2026
De acordo com a presidente do Instituto Yduqs, Claudia Romano, a proposta é expandir o alcance da iniciativa.
“Erradicar o analfabetismo é um compromisso que assumimos no Instituto Yduqs, em parceria com nossas Instituições de Ensino. O nosso programa de alfabetização de jovens e adultos oferece a oportunidade de reacender os sonhos de muitas pessoas.”
Ela antecipa que novas vagas serão abertas em 2026: “Estamos falando de vidas que se transformam por meio da educação, desde o momento em que essas pessoas pisam em uma de nossas unidades. Por isso, nosso objetivo é ampliar o alcance do programa e levar oportunidades de aprendizagem para quem mais precisa.”
Sobre o programa
Criado em 2018, o programa já formou mais de 2 mil alunos em todo o país, com a participação de estudantes e docentes das instituições Estácio e Wyden. A metodologia inclui material didático acessível, suporte pedagógico contínuo e uma abordagem que valoriza a trajetória individual de cada estudante.
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