Confira o que se sabe até agora sobre a vacina contra a dengue no SUS - O Poti News

Confira o que se sabe até agora sobre a vacina contra a dengue no SUS

Apenas em 2024, até 17 de janeiro, foram registrados 55.859 casos prováveis de dengue e seis óbitos foram confirmados. Foto: Agência Brasil/EBC.

Há pouco mais de um mês, o Ministério da Saúde anunciou oficialmente a incorporação da vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda, no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi precedida pela aprovação da Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias (Conitec) no SUS, que recomendou a priorização em regiões com maior incidência e transmissão do vírus, bem como em faixas etárias de maior risco.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação inicial será focada em públicos específicos e em regiões consideradas prioritárias, devido à capacidade restrita de fornecimento de doses pela empresa Takeda. A ministra Nísia Trindade afirmou que a definição dos públicos-alvo será feita considerando a limitação da empresa e que priorizações serão estabelecidas até o início do ano.

O próximo passo envolve um trabalho conjunto entre o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) para definir a estratégia de utilização das 5.082 milhões de doses previstas para entrega entre fevereiro e novembro de 2024. O esquema vacinal consistirá em duas doses, com intervalo de 90 dias entre elas.

Recomendações de uso

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) diz que a Qdenga é uma vacina tetravalente, protegendo contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Recomenda-se a administração em duas doses, com intervalo de três meses, independentemente de o paciente ter tido dengue anteriormente.

Quem já teve dengue deve receber a vacina, especialmente por apresentar uma melhor resposta imune e ser considerada uma população de maior risco para dengue grave. Para aqueles que tiveram a infecção recentemente, a orientação é aguardar seis meses antes de receber o imunizante. Caso a doença seja diagnosticada entre as doses, a recomendação é manter o esquema vacinal, desde que o prazo não seja inferior a 30 dias em relação ao início dos sintomas.

A vacina é indicada para pessoas de 4 a 60 anos, sendo contraindicada para gestantes, lactantes, pessoas com imunodeficiências primárias ou adquiridas, e indivíduos com hipersensibilidade à dose anterior. Mulheres em idade fértil devem usar métodos contraceptivos por 30 dias após a vacinação.

Eficácia

Segundo a SBim, a vacina demonstrou eficácia variada contra os sorotipos DENV-1, DENV-2 e DENV-3. A eficácia contra o DENV-4 não pôde ser avaliada devido ao número insuficiente de casos durante o estudo. A proteção contra hospitalizações por dengue confirmada laboratorialmente foi de 84,1%.

O laboratório responsável enfatiza que a Qdenga é exclusiva para a proteção contra a dengue e não oferece imunidade contra outras arboviroses, como zika, chikungunya e febre amarela.

Registro e monitoramento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da Qdenga em março de 2023, permitindo sua comercialização no país. Contudo, o imunizante está sujeito ao monitoramento de eventos adversos, realizado pela própria empresa fabricante por meio de ações de farmacovigilância.