
As contas públicas do país fecharam 2025 no vermelho. Dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Banco Central (BC) indicam que o setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 55,021 bilhões no ano passado, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB).
O resultado representa ampliação em relação a 2024, quando o déficit primário somou R$ 47,553 bilhões, correspondente a 0,4% do PIB. Em dezembro de 2025, houve superávit de R$ 6,251 bilhões, conforme a consolidação das Estatísticas Fiscais.
O déficit primário reflete a diferença negativa entre receitas e despesas do setor público, sem considerar os gastos com juros da dívida.
Esferas de governo
Em 2025, o Governo Central apresentou déficit primário de R$ 58,687 bilhões, acima do resultado negativo de R$ 45,364 bilhões registrado em 2024. O valor difere do divulgado pelo Tesouro Nacional, que apontou déficit de R$ 61,69 bilhões, em razão de metodologia distinta adotada pelo Banco Central, baseada na variação da dívida pública.
Segundo o Tesouro, o resultado foi influenciado pelo crescimento de despesas obrigatórias, como Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC). A arrecadação recorde do período reduziu o impacto do desequilíbrio. Em termos reais, a receita líquida avançou 2,8% (R$ 64,3 bilhões), enquanto as despesas cresceram 3,4% (R$ 79,1 bilhões).
Os governos estaduais e municipais contribuíram para conter o resultado negativo ao ampliar o superávit conjunto, que alcançou R$ 9,537 bilhões em 2025, frente a R$ 5,885 bilhões no ano anterior.
Já as empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas Petrobras e Eletrobras, registraram déficit de R$ 5,871 milhões em agosto. Apesar do resultado negativo, houve redução em comparação a 2024, quando o saldo desfavorável chegou a R$ 8,073 bilhões.
Despesas com juros
Os gastos com juros da dívida pública somaram R$ 1 trilhão em 2025, o maior valor da série histórica, acima dos R$ 950,423 bilhões registrados em 2024. Ainda assim, a participação dessas despesas no PIB recuou, passando de 8,07% para 7,91%, em função do crescimento mais acelerado do PIB nominal.
De acordo com o BC, a elevação da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006, influenciou o comportamento da conta de juros. As operações de swap cambial também tiveram impacto relevante. Em 2025, essas operações geraram ganhos de R$ 105,9 bilhões, reduzindo o valor total dos juros. No ano anterior, houve perdas de R$ 115,9 bilhões.
Com isso, o déficit nominal, que soma o resultado primário e as despesas com juros, alcançou R$ 1,062 trilhão em 2025, ante R$ 997,976 bilhões em 2024. Esse indicador é acompanhado por agências de classificação de risco na avaliação do endividamento do país.
Dívida pública
A dívida líquida do setor público chegou a R$ 8,311 trilhões em 2025, o equivalente a 65,3% do PIB, o maior percentual da série histórica. Em 2024, o indicador estava em 61,3% do PIB (R$ 7,220 trilhões).
O avanço decorre, principalmente, do déficit nominal, dos juros apropriados no período e da apreciação cambial de 11,1% ao longo do ano. Como o Brasil é credor em moeda estrangeira, a valorização do dólar eleva a dívida líquida.
A dívida bruta do governo geral atingiu R$ 10,017 trilhões, correspondendo a 78,7% do PIB, acima dos R$ 8,984 trilhões (76,3% do PIB) registrados em 2024. O indicador é utilizado em comparações internacionais sobre endividamento público.













