
Mesmo sem ter presenciado o último título mundial da Seleção Brasileira, a Geração Z continua demonstrando forte identificação com a Copa do Mundo. Um levantamento realizado pela Trope-se mostra que 97% dos jovens nascidos entre 1997 e 2010 pretendem acompanhar o torneio, evidenciando que a competição segue mobilizando as novas gerações.
O estudo também aponta que 59% dos entrevistados torcem pelo Brasil motivados pela representatividade histórica da Seleção e pelo sentimento de identidade nacional, mesmo em um cenário em que o país não aparece entre os principais favoritos ao título.
Para o coordenador do curso de Psicologia da Estácio, Helington Costa, o envolvimento dos jovens com a Copa vai além dos resultados esportivos e está diretamente ligado à construção da identidade coletiva.
“Embora essa geração não tenha vivido o último título do Brasil, ela cresceu em contato com tudo o que a competição representa. As pessoas constroem sua identidade não apenas pelas experiências que viveram, mas também pelas histórias, símbolos e tradições compartilhadas pela família e pela sociedade”, afirma.
Segundo o neuropsicólogo, o futebol desempenha um papel importante na integração social ao criar momentos de celebração coletiva.
“Quando milhões de pessoas vestem a mesma camisa e comemoram juntas, elas reforçam o senso de pertencimento. Para as novas gerações, isso é especialmente relevante porque elas vivem em um mundo muito conectado, mas também bastante individualizado”.
Costa observa ainda que, apesar da ampla oferta de entretenimento e do intenso consumo de conteúdos digitais, a Copa do Mundo continua despertando interesse por oferecer experiências que unem emoção, imprevisibilidade e participação coletiva.
“Durante a Copa, as pessoas interrompem a rotina para viver uma experiência coletiva. Esse compartilhamento de emoções fortalece vínculos sociais, aumenta a sensação de conexão e pode contribuir para reduzir a percepção de estresse”.
O especialista ressalta, no entanto, que o evento esportivo não deve ser encarado como solução para questões emocionais.
“Mas ele oferece um espaço importante de convivência e bem-estar, algo que faz diferença em uma sociedade cada vez mais acelerada”.
Na avaliação do psicólogo, o modo de torcer mudou com o avanço das plataformas digitais, mas a essência da experiência permanece.
“Hoje, a torcida acontece tanto na arquibancada quanto nas redes sociais, mas o sentimento de pertencimento continua sendo o mesmo. Isso revela que algumas necessidades humanas permanecem constantes ao longo das gerações: o desejo de se conectar, de celebrar conquistas coletivas e de sentir que faz parte de algo maior”, conclui.
O levantamento reforça que, mesmo em um contexto marcado pela tecnologia e pelas mudanças nas formas de consumo de entretenimento, a Copa do Mundo continua sendo um dos principais eventos capazes de reunir diferentes gerações em torno de uma paixão comum.
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