
Com a combinação entre festas juninas e Copa do Mundo, milhões de brasileiros têm aproveitado o período para celebrar ao lado de amigos e familiares. Em meio às comemorações, especialistas alertam para a importância do consumo consciente de bebidas alcoólicas, já que o excesso pode trazer consequências para a saúde física, emocional e social.
Dados do relatório Álcool e a Saúde dos Brasileiros, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), mostram que a percepção sobre o próprio consumo ainda é um desafio. Segundo o levantamento, 82% das pessoas que apresentam padrões abusivos acreditam beber de forma moderada, enquanto apenas 9% reconhecem a necessidade de mudar seus hábitos.
Para o psicólogo Zacarias Ramalho, um dos principais problemas está na normalização de comportamentos prejudiciais durante eventos festivos.
“Muitas pessoas tendem a normalizar hábitos prejudiciais e a minimizar os impactos do álcool na saúde física e mental. Por isso, é importante observar sinais como o isolamento social, a perda de interesse por atividades antes prazerosas e a ingestão frequente e excessiva da bebida, que podem indicar o início de um quadro de dependência”, explica o especialista.
O alerta ganha ainda mais relevância diante das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o álcool uma substância tóxica e associada a diversos problemas de saúde. Segundo a entidade, não existe uma quantidade de consumo totalmente livre de riscos.
Dicas para curtir sem exageros
Para quem pretende acompanhar os jogos da Seleção Brasileira ou participar dos tradicionais arraiás, algumas medidas simples podem ajudar a evitar excessos.
A nutricionista Eva Andrade recomenda manter a hidratação ao longo do dia e intercalar bebidas alcoólicas com água.
“É importante intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água e priorizar opções não alcoólicas, como água de coco, sucos naturais sem adição de açúcar e bebidas com baixo teor de sódio. Além de favorecer a hidratação, essas escolhas ajudam a reduzir a sobrecarga hepática e minimizam os efeitos do consumo excessivo”, orienta.
Outra alternativa é optar por bebidas sem álcool, que vêm ganhando espaço em bares, restaurantes e eventos.
“Entre os benefícios das versões sem álcool estão a diminuição do impacto das bebidas no fígado, a melhor hidratação, especialmente relevante em longas horas de festa, e a redução do valor calórico”, complementa a nutricionista.
Quando o consumo deixa de ser diversão?
Especialistas destacam que alguns sinais podem indicar que a relação com a bebida merece atenção. Mudanças de comportamento, necessidade frequente de consumir álcool para se divertir, perda de controle sobre a quantidade ingerida e impactos na rotina são alguns dos indícios que não devem ser ignorados.
“Em muitos casos, a dependência química funciona como um mecanismo de fuga diante de conflitos e situações adversas, levando o indivíduo a perder o domínio sobre suas próprias ações”, afirma Zacarias Ramalho.
O psicólogo também reforça que o apoio familiar é fundamental para quem enfrenta dificuldades relacionadas ao consumo abusivo.
“A família deve oferecer escuta, acolhimento e incentivo para que a pessoa busque ajuda especializada. Também é importante identificar os gatilhos emocionais e sociais que levam ao consumo excessivo, desenvolvendo estratégias para prevenir recaídas”, finaliza.
A orientação dos especialistas é que diversão e responsabilidade caminhem juntas. Com planejamento, hidratação e moderação, é possível aproveitar os festejos juninos e a emoção da Copa do Mundo sem colocar a saúde em risco.
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