
O aumento do número de praticantes de corrida de rua no Rio Grande do Norte tem sido acompanhado pela adoção de ferramentas tecnológicas no dia a dia dos atletas. Nos últimos dois anos, o estado registrou a segunda maior taxa de crescimento da modalidade no país, refletindo uma tendência nacional de expansão do esporte.
Com esse cenário, aplicativos como o Strava passaram a integrar a rotina de corredores ao oferecer recursos de monitoramento de desempenho, como ritmo, distância, frequência e histórico de atividades. A plataforma reúne cerca de 180 milhões de usuários em todo o mundo e tem sido utilizada tanto por iniciantes quanto por praticantes mais experientes.
O publicitário e corredor amador Hellan Aureliano relata que começou a correr em 2015, de forma recreativa. “Comecei correndo com amigos apenas para fazer uma atividade, nos fins de semana jogávamos bola e, durante a semana, às vezes corríamos da Praia do Meio até a Praia de Areia Preta e voltávamos. Não sabíamos nada sobre distância ou ritmo, era apenas para correr”, relembra.
Segundo ele, a prática ganhou regularidade a partir de novembro de 2024, quando passou a contar com orientação profissional e a utilizar o aplicativo como apoio. “Acredito que conheci o aplicativo por vídeos nas redes sociais. Comecei a usar para registrar as atividades e, consequentemente, acompanhar meus melhores tempos”, afirma.
Para o corredor, o acompanhamento dos dados contribui para a motivação. “Acompanhar distância e frequência me motiva. Ver minha evolução ao longo do tempo também influencia diretamente minha disciplina”, destaca. Ainda assim, ele ressalta a necessidade de equilíbrio: “Eu me cobro para melhorar porque gosto do esporte e quero evoluir em alguns pontos, mas tenho clareza de que não sou profissional e nem treino para isso. Tenho cautela para que a corrida não deixe de ser um hobby e passe a ser um fardo”.
Atualmente, Hellan acumula marcas de 21 minutos e 13 segundos nos 5 quilômetros e 46 minutos e 48 segundos nos 10 quilômetros. Ele se prepara para sua primeira prova de 15 quilômetros, prevista para maio.
Especialistas alertam que, apesar dos benefícios das ferramentas digitais, o início na corrida exige planejamento. O professor de Educação Física Elmir Andrade orienta que não há um período padrão de preparação. “Cada pessoa tem uma condição individual que determina a velocidade de evolução nos treinos. Por isso, é indispensável contar com a orientação de um profissional de Educação Física, que poderá avaliar a condição inicial do praticante, planejar o treinamento adequado e acompanhar a evolução de maneira segura”, explica.
Ele também destaca a importância de incluir outras atividades na rotina:
- Treinamento de força para prevenção de lesões e melhora do desempenho;
- Alongamentos para ampliar a eficiência dos movimentos e a elasticidade muscular.
O professor ainda chama atenção para os riscos do excesso de treinos. “Sinais como fadiga crescente e lesões recorrentes indicam que há algo errado. O normal é que o corpo se fortaleça com o treinamento progressivo. Se a pessoa se sente cada vez mais desgastada, é sinal de que falta descanso ou há excesso de estímulos. É imprescindível manter a cautela”, finaliza.













