
O cultivo agroecológico de morangos tem ganhado espaço no Seridó do Rio Grande do Norte e passa a integrar o cenário produtivo da região. Na Serra de Santana, no município de Bodó, a Fazenda Tupinambá mantém uma produção estimada entre 1.800 e 2.000 quilos por ciclo anual e prevê ampliar esse volume em até cinco vezes ao longo de 2025, a partir da chegada de novas mudas importadas.
A iniciativa recebeu, em 2025, o selo Feito Potiguar, reconhecimento que valoriza produtos desenvolvidos no estado e amplia a visibilidade de pequenos e médios produtores no mercado. A certificação levou em conta a qualidade dos frutos e o modelo produtivo adotado, voltado à sustentabilidade.
O projeto é conduzido pela produtora rural Edneuman Assunção, engenheira civil de formação, que retornou ao Seridó após anos de atuação profissional no Rio Grande do Sul. Ao lado do esposo, Alex Amico, ela decidiu retomar a propriedade herdada do pai, motivada por razões familiares e pelo desejo de redefinir o ritmo de vida e trabalho no campo.
“Ao decidir morar definitivamente na fazenda, eu e meu marido passamos a buscar alternativas para tornar a propriedade economicamente viável e sustentável. A produção de morangos nasceu de uma paixão pessoal pela fruta, que se intensificou durante o período em que vivi no Rio Grande do Sul, onde pude conhecer de perto diversos produtores, tecnologias de cultivo e modelos de negócio”.
Implantar uma cultura pouco comum na região exigiu adaptação técnica e planejamento. Entre os principais desafios estiveram o acesso a insumos, a adequação ao clima e a ausência de referências locais. “Cada etapa vencida reforça a certeza de que estamos construindo algo novo e consistente”, relata a produtora.
Para viabilizar o cultivo em uma área de clima quente, a Fazenda Tupinambá adotou o sistema semi-hidropônico, no qual as plantas são cultivadas em material neutro, com irrigação e nutrição controladas. A técnica permite reduzir o estresse das mudas e criar condições mais equilibradas dentro das estufas. “A escolha do local também foi estratégica: estamos em uma área elevada, com boa circulação de ventos, o que ajuda no resfriamento natural e contribui para a qualidade do cultivo”.
Atualmente, cerca de 2 mil plantas estão em produção. Segundo Edneuman, novas mudas vindas da Espanha devem chegar em março, com previsão de elevação da colheita a partir de agosto. “O objetivo é crescer de forma planejada, mantendo qualidade, cuidado com o manejo e respeito ao território”.
O processo de expansão contou ainda com apoio institucional. O Sebrae-RN acompanhou atividades complementares da fazenda, como a avicultura caipira, cuja renda auxiliou na estruturação do cultivo de morangos. Para a gerente da Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN, Mona Paula Nóbrega, a experiência representa um avanço para o movimento Feito Potiguar. “Apesar de ser uma cultura considerada exótica no estado, assim como o açaí, produzir morangos no Rio Grande do Norte, com manejo agroecológico, traz diferenciais importantes para o produtor”.
Ela acrescenta que o selo facilita o acesso a mercados e amplia o reconhecimento do produto junto aos consumidores. “O programa amplia a visibilidade, fortalece a participação em feiras e eventos e contribui diretamente para o aumento da clientela e do faturamento. Consumir morangos frescos é, também, um privilégio potiguar”.
*Com informações da Agência Sebrae.













