
O desmatamento na Caatinga apresentou redução de 25,9% em 2025, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pela iniciativa MapBiomas Alerta. O levantamento mostra que a área desmatada no bioma passou de 174.119 hectares em 2024 para 128.947 hectares neste ano.
O estudo também revelou uma diminuição no número de alertas de desmatamento registrados na Caatinga. Foram 14.838 ocorrências em 2025, frente a 17.797 notificações contabilizadas no ano anterior, o que representa uma redução de 16,6%.
Em âmbito nacional, o Brasil alcançou um marco inédito desde o início da série histórica do relatório, em 2019. Pela primeira vez, a área total de vegetação nativa desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. Ao todo, foram desmatados 984.794 hectares em 2025, uma queda de 20,6% em relação a 2024.
Apesar do avanço, o relatório aponta que, nos últimos sete anos, o país perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, uma área superior à extensão territorial do estado de Pernambuco.
Rio Grande do Norte mantém tendência de redução
Os dados do RAD 2025 também mostram resultados positivos para o Rio Grande do Norte. O estado reduziu em 22% a área desmatada em comparação com 2024, passando de 6.121 hectares para 4.759 hectares. Com isso, permaneceu na 17ª posição entre os estados brasileiros no ranking nacional de desmatamento.
Para o diretor técnico do Idema, Thales Dantas, os números refletem a importância do trabalho realizado por órgãos ambientais e instituições parceiras.
“O uso de sistemas de satélite e plataformas integradas de acompanhamento ambiental tem contribuído para ampliar a capacidade de detecção e resposta aos casos de supressão da vegetação nativa. No RN, a Caatinga representa um dos principais patrimônios naturais do estado, reunindo biodiversidade adaptada ao semiárido e desempenhando papel na conservação dos recursos hídricos, equilíbrio climático e manutenção dos modos de vida das populações tradicionais”, comentou o diretor.
Segundo o instituto, os resultados reforçam a necessidade de manter investimentos em fiscalização, monitoramento e educação ambiental para garantir a preservação da biodiversidade e dos recursos naturais do semiárido.
Nova unidade fortalece proteção ambiental
Entre as iniciativas voltadas à conservação da Caatinga no estado está a criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras (Revis Serra das Araras), instituído pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026.
Considerada a maior Unidade de Conservação do bioma Caatinga em território potiguar, a área possui 12.367,81 hectares e abrange os municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, regiões reconhecidas pela relevância ambiental e riqueza biológica.
A categoria de proteção integral tem como objetivo preservar ecossistemas essenciais para a sobrevivência e reprodução de espécies da fauna e da flora. O espaço também permite atividades de uso indireto dos recursos naturais, como pesquisa científica, educação ambiental e turismo ecológico, desde que previstas em seu plano de manejo.
Para o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, a nova unidade representa um avanço importante para a política ambiental estadual.
“O Revis Serra das Araras nasce como um símbolo do equilíbrio entre conservação e desenvolvimento. É uma iniciativa que fortalece a proteção da Caatinga e, ao mesmo tempo, reconhece o papel das comunidades locais na construção de soluções sustentáveis”, ressaltou.
Além da preservação da vegetação nativa, a unidade de conservação deverá contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas, a valorização das comunidades tradicionais e o fortalecimento do turismo sustentável, especialmente por meio da observação de aves, atividade com potencial de geração de emprego e renda no interior potiguar.











