
No dia 19 de fevereiro, celebramos o Dia do Esportista, uma data que destaca a importância da prática esportiva para a saúde e o bem-estar da população. A atividade física regular é fundamental para a prevenção de doenças, melhora da qualidade de vida e promoção da saúde mental. Além disso, o esporte exerce um papel social significativo, unindo pessoas de diferentes idades e origens em torno de objetivos comuns, estimulando valores como disciplina, respeito e trabalho em equipe.
Apesar da importância da atividade esportiva e o reflexo dela na saúde mental e física, uma parcela muito significativa da população brasileira ainda não recorre à tal prática, isto é o que informa a pesquisa realizada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), de 2023, onde revelou que 52% dos brasileiros raramente ou nunca praticam atividades físicas.
Segundo dados do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas) – do Ministério da Saúde–, apenas 40,6% das pessoas com 18 anos ou mais, na média de todas as capitais brasileiras e do Distrito Federal, realizam atividade física nos níveis estipulados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Os dados obtidos no relatório do Vigitel 2023, ainda garantem que “Considerando o conjunto da população adulta estudada, 37,0% não alcançaram um nível suficiente de prática de atividade física”. A pesquisa classifica como fisicamente inativos todos os indivíduos que afirmaram não ter praticado qualquer atividade física no tempo livre nos últimos três meses e que não realizam esforços físicos relevantes no trabalho, não se deslocam para o trabalho ou para a escola a pé ou de bicicleta e que não participam da limpeza pesada de suas casas.
Saúde Mental
Para a psicóloga Rafaella Leite, “A importância da atividade física na saúde mental está diretamente ligada à compreensão de que o ser humano é um ser completo, no qual corpo e mente são indissociáveis. Somos seres biopsicossociais, ou seja, o corpo, a mente e o contexto em que vivemos estão constantemente interagindo”, afirma a profissional.
“Por exemplo, ao participar de atividades coletivas, as pessoas não apenas melhoram o condicionamento físico, mas também desenvolvem interações sociais que contribuem para o bem-estar emocional e psicológico. Com o tempo, a prática constante de exercícios pode trazer benefícios como emagrecimento, aumento de disposição e melhoria da autoestima, além de favorecer a concentração e a regulação emocional”, assegura Rafaella.
Além dos benefícios de socialização, também precisamos observar que “Fisiologicamente, a atividade física estimula a liberação de endorfina, o hormônio do prazer, responsável pela sensação de bem-estar, ajudando a reduzir o estresse, a ansiedade e até mesmo sintomas depressivos”, complementa a Psicóloga. Nesta perspectiva, o movimento não só beneficia o corpo, mas também fortalece a mente.
Já o Felipe Pontes, graduando em Geografia, conta que a prática esportiva foi responsável, desde a sua infância, por proporcionar momentos de lazer e alegria. A paixão pelo esporte o levou ao futsal e ao futebol, esportes que ele mais utilizou como catalisadores de endorfina, praticando com amigos por diversão e quebra de rotina.
“A prática esportiva sem sombras de dúvidas influenciou e ainda influencia no meu desenvolvimento social como também na minha saúde mental. O primeiro [futsal] me proporcionou uma melhor desenvoltura ao falar em público. Já o segundo [futebol] contribui para diminuir os estresses das atividades da faculdade e serve também como um escape para aliviar a pressão do dia a dia”, garante o estudante.
Física
Para a personal trainer e fisiculturista Paula Soares, a rotina saudável não é fácil, mas é algo que no decorrer do processo o corpo se adequa. Para a personal, a prática esportiva está atrelada não só ao bem-estar mas também com a importância da disciplina e da adaptabilidade do ser humano.
“Você tem que ter paciência no processo para fazer porque no início não é fácil, mas depois que ele se adapta, você não volta mais a ser o que você era, porque você não admite mais a ser o que foi, você quer só melhorar”, afirma.
A personal fala de seu interesse pela Educação Física, “Já treino desde adolescente, sempre gostei de treinar a musculação em si, que é a atividade que hoje eu mais me identifico e mais amo, desde sempre. Acabei fazendo a faculdade de Educação Física, que realmente é o que eu amo. O fisiculturismo eu sempre tive vontade de fazer, mas por questões pessoais da vida a gente vai empurrando esse sonho com a barriga, né? E há três anos atrás eu comecei o trabalho para ser atleta”, confidencia.

A profissional de Educação Física se diz realizada pelo seu caminho ser finalmente trilhado como uma atleta fisiculturista. “Foi três anos mudando, né, para isso, e não me arrependo. Acho que tudo tem o seu tempo para acontecer, quando acontece no tempo certo, tudo flui, tudo anda e tudo fica perfeito”, conta. A fisiculturista compete atualmente na modalidade esportiva que visa desenvolver a musculatura de forma simétrica e estética.
Inclusão
Em conversa com O Poti, o atleta profissional Jhordan Costa, líbero do América/SSC, contou um pouco da sua jornada no esporte. O atleta afirma ser engraçado falar disso, tendo em vista que ele vem do futebol, mas que após uma partida, se apaixonou por outro esporte – e hoje – é um atleta profissional do vôlei. Para falar do amor à modalidade que hoje representa nas quadras, Jhordan afirma que a paixão aconteceu durante uma partida realizada nos Jogos Olímpicos de Londres.
“Na verdade eu trilhei… é bem engraçado, foi eu assistindo um jogo das Olimpíadas, Brasil contra a Rússia, quartas de finais de 2012. Aquelas quartas de finais que a Sheilla rodou 6 match points [no tie-break], foi muito… meu Deus. Eu assisti aquele jogo e fiquei encantado”, confidencia.
Jhordan afirma ainda que depois daquele jogo, ele começou a jogar voleibol. Para o jovem jogador, o esporte pode ser muito mais que uma partida onde um ganha e outro perde, o vôlei foi para ele uma ferramenta de mudança e de inclusão também. Ele conta que pensava em fazer um time LGBTQIA+, e em 2018 ele conseguiu realizar esse desejo.

“Em 2018 eu montei essa equipe, Clube das Winxs, e por dois anos eu mantive ela só com LGBTs. Só que aí depois a gente foi incrementando a “cota de héteros”, e hoje em dia a equipe é muito conhecida lá em Aracaju, lá em Sergipe, não só em Sergipe na verdade, e é multicampeã também. Sou orgulhoso da minha equipe, tanto Winx, como a que estou hoje em dia no profissional [América/SSC]”, garante ele.
Jhordan faz um balanço sobre sua jornada no vôlei até aqui e diz: “Sinto muita saudade [Clube das Winx], mas a gente sabe o trabalho árduo que a gente passa todos os dias para estar aqui, né? Muitos queriam estar aqui [na posição de atleta profissional], e acho que eu estou realizando o sonho de várias [pessoas]”, reflete o defensor da equipe Alvirrubra nesta temporada, se mostrando, acima de tudo, grato.
À medida que comemoramos esta data, é essencial refletir sobre como a inclusão da atividade esportiva na rotina diária pode transformar vidas e fortalecer comunidades, além de estimular hormônios e hábitos mais saudáveis.











