
Às vésperas do Dia dos Namorados, celebrado nesta sexta-feira (12), um levantamento do aplicativo Happn revela mudanças na forma como a Geração Z enxerga os relacionamentos amorosos. Segundo a pesquisa, 35% dos jovens apontam como principal objetivo a construção de vínculos “sem pressão”, permitindo que as relações se desenvolvam de maneira espontânea e com maior conexão emocional.
Para o psicólogo e docente do curso de Psicologia da Estácio, Helington Costa, o comportamento reflete uma valorização crescente da autenticidade nas relações afetivas.
“Muitos jovens estão menos interessados em manter um namoro apenas por conveniência social e mais preocupados em encontrar vínculos que proporcionem conexão emocional, segurança psicológica e espaço para serem quem realmente são”, afirma.
De acordo com o especialista, essa postura está relacionada ao contexto social em que a geração cresceu, marcado por maior liberdade para questionar padrões tradicionais de relacionamento.
“O que muda é que existe uma preocupação em construir laços afetivos alinhados aos próprios valores e não apenas reproduzir expectativas sociais. Ou seja, mais coerência entre bem-estar emocional, identidade pessoal e vida amorosa”, explica.
A universitária Ana Letícia Leocádio, de 20 anos, acredita que a falta de confiança e comprometimento ainda representa um dos principais obstáculos para a formação de relacionamentos duradouros.
“Tenho a impressão de que muitas pessoas encaram os envolvimentos amorosos de forma descartável. Isso acaba dificultando a criação de uniões mais sólidas, baseadas em confiança, responsabilidade afetiva e lealdade”, comenta.
Ela também avalia que há maior abertura para conversas sobre sentimentos e limites, embora considere que esse diálogo ainda enfrente barreiras.
“Existe mais espaço para conversas francas sobre emoções e limites, mas ainda há bloqueios emocionais que dificultam esse diálogo de forma genuína”, avalia.
Segundo Helington Costa, um dos desafios enfrentados pelos jovens é justamente o receio de se mostrar vulnerável emocionalmente.
“Muitos jovens querem conexões mais profundas, mas também convivem com receios ligados ao sofrimento emocional. Outro desafio importante é o excesso de comparação social promovido pelas redes digitais. A exposição constante a vidas aparentemente perfeitas pode gerar insegurança e insatisfação”, completa.
A universitária Maria Raíssa de Oliveira, também de 20 anos, destaca que a velocidade das interações na sociedade contemporânea influencia diretamente a construção dos vínculos.
“A construção de uma parceria saudável demanda tempo. O mundo está acelerado e acho que isso também influencia as interações sociais. Apesar disso, confiança e afeto não acontecem de forma instantânea”, declara.
O que a Geração Z ensina sobre os relacionamentos
Na avaliação do neuropsicólogo, uma das principais contribuições da Geração Z está na valorização do diálogo, do respeito mútuo e da saúde emocional dentro das relações.
“A Geração Z nos mostra que relações saudáveis dependem de diálogo, respeito aos limites, consentimento e cuidado com a saúde emocional”, comenta.
O especialista acrescenta que os jovens também reforçam a ideia de que não existe apenas uma forma de viver o amor. Apesar das mudanças nos modelos de relacionamento, ele ressalta que o desejo por pertencimento e conexão permanece presente.
“No fim das contas, as pessoas continuam buscando amor, pertencimento e conexão genuína, mas de uma maneira mais consciente e alinhada aos próprios valores”, conclui.











