
A incidência de dirofilariose canina, conhecida popularmente como “verme do coração”, tem chamado a atenção da equipe do Hospital Veterinário (Hovet) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró. Dados levantados pela instituição mostram que a enfermidade está presente entre os cães atendidos e reforçam a necessidade de ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce.
Entre abril e junho de 2026, o Hospital Veterinário identificou 18 casos positivos da doença entre os 185 exames de ecocardiografia realizados no período. Paralelamente, a Clínica Médica da instituição registrou 15 cães com microfilárias detectadas por meio de testes rápidos ou exames laboratoriais, em um universo de aproximadamente 200 atendimentos realizados por médicos-veterinários residentes.
Segundo o médico-veterinário João Marcelo, a frequência dos diagnósticos demonstra que a doença circula na região e exige atenção dos tutores e dos profissionais da área.
“Temos registros diários de dirofilariose canina. Nos últimos três meses registramos 18 casos positivos entre os exames de ecocardiografia realizados no Hospital Veterinário. Também identificamos animais positivos nos atendimentos clínicos por meio de testes rápidos e exames laboratoriais”, destaca.
Doença pode permanecer silenciosa por anos
A dirofilariose é causada pelo parasita Dirofilaria immitis, que se instala principalmente no coração e nas artérias pulmonares dos cães. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados, incluindo espécies dos gêneros Aedes, Culex, Anopheles e Ochlerotatus.
Um dos principais desafios é que muitos animais permanecem assintomáticos durante longos períodos. Quando os sinais clínicos surgem, podem incluir tosse persistente, fadiga, dificuldade respiratória, perda de peso, desmaios e, em estágios avançados, insuficiência cardíaca.
De acordo com João Marcelo, os exames de imagem desempenham papel essencial na avaliação da doença.
“O exame de imagem é fundamental. Ele permite visualizar o verme adulto no coração e nas artérias pulmonares, além de mostrar se o animal já apresenta hipertensão pulmonar. Mesmo quando o teste rápido é positivo, ele deve estar associado ao exame de imagem”, explica.
O veterinário ressalta ainda que os exames laboratoriais podem não identificar todos os animais infectados.
“Às vezes o animal apresenta resultado negativo no teste, mas o exame de imagem revela a presença dos parasitas. Isso pode acontecer em infecções leves ou em situações específicas da doença”, explica o veterinário.
Pesquisas ampliam conhecimento sobre a enfermidade
Além do atendimento clínico, a Ufersa desenvolve pesquisas voltadas ao estudo da dirofilariose. Segundo João Marcelo, a universidade já concluiu uma dissertação de mestrado sobre o tema e mantém cooperação científica com pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), entre eles o professor Leucio Alves, considerado referência nacional no assunto.
“Inclusive, no dia 6 de agosto, o professor Leucio Alves estará na UFERSA ministrando a palestra “Dirofilariose Canina: panorama atual de transmissão e prevenção”, para os acadêmicos de veterinária”, adiantou João Marcelo.
Prevenção continua sendo a principal forma de proteção

A professora Nilza Dutra Alves destaca que impedir a picada dos mosquitos transmissores é a medida mais eficaz para evitar a infecção. “A forma de prevenção mais eficiente é utilizar coleira repelente para manter afastado do animal o mosquito transmissor”.
Ela acrescenta que os mesmos cuidados recomendados para combater o mosquito da dengue também ajudam a reduzir a circulação da dirofilariose.
“É importante manter o ambiente sempre limpo, sem lixo e sem água parada. A realização de dedetizações periódicas também contribui para combater os mosquitos transmissores”.
Para a professora Ana Carla Diógenes Suassuna Bezerra, a falta de informação ainda representa um dos principais entraves para controlar a doença.
“Muitos tutores não sabem que a doença existe, desconhecem as formas de transmissão e, consequentemente, não adotam medidas preventivas”, revelou.
Ela defende o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica e da conscientização da população.
“É preciso aumentar a vigilância por meio de pesquisas, fortalecer o diagnóstico dos casos suspeitos e estimular a prevenção entre tutores e profissionais da saúde animal”.
Embora a dirofilariose seja considerada uma zoonose, os casos em seres humanos são incomuns. Ainda assim, especialistas alertam que controlar os mosquitos transmissores, realizar exames periódicos e manter a prevenção nos animais são as estratégias mais eficazes para reduzir a circulação do parasita. O tratamento existe, porém é considerado complexo e deve ser conduzido exclusivamente sob acompanhamento médico-veterinário.
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