
A distribuidora de medicamentos Dismed negou a prática de irregularidades após ser citada pela Polícia Federal (PF) como uma das investigadas na Operação Mederi, que apura suposto desvio de recursos públicos da saúde no Rio Grande do Norte. Segundo a empresa, os valores apreendidos durante a ação têm origem lícita e são compatíveis com a atividade comercial exercida.
Em nota assinada pelo advogado Rodrigo de Oliveira Carvalho, a defesa afirmou que a Dismed atua “há 18 anos de forma contínua e regular no comércio atacadista de medicamentos”, exercendo atividade lícita, fiscalizada e reconhecida no mercado, sem histórico de irregularidades. O texto sustenta que o esclarecimento técnico e documental demonstrará “a inexistência de qualquer conduta criminosa”.
A empresa também contestou informações divulgadas por parte da imprensa sobre os valores encontrados durante a operação. De acordo com a defesa, “não corresponde à realidade a informação publicadas de que teriam sido encontrados cifras de milionários”, seja na empresa ou na residência de um dos sócios, Oseas Monthalggan. Conforme a nota, o montante apreendido foi de aproximadamente R$ 52 mil.
Ainda segundo o comunicado, os valores “decorrem de atividade comercial lícita” e “são plenamente compatíveis com o ramo farmacêutico”. A defesa acrescenta que a guarda de dinheiro em residência não configura crime. “É pacífico o entendimento de que a manutenção de numerário em residência, por si só, não constitui crime”, diz o texto.
Sobre diálogos atribuídos aos sócios e citados nas investigações, a defesa informou que aguarda acesso integral aos autos para análise técnica. “A defesa aguarda o acesso integral aos autos, a fim de proceder à análise técnica do conteúdo, de sua existência, contexto e legalidade, observando-se rigorosamente as garantias constitucionais”, afirma a nota.
Ao final, a Dismed declarou respeito às instituições e ao devido processo legal. “Reafirma-se o pleno respeito às instituições, ao devido processo legal e à presunção de inocência, aguardando-se que as apurações sigam seu curso com equilíbrio, discrição e estrita observância das garantias fundamentais.”
Operação Mederi
A Dismed foi um dos alvos da Operação Mederi, deflagrada na terça-feira (27) pela Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação busca desarticular um suposto esquema voltado ao desvio de recursos públicos da saúde e a fraudes em procedimentos licitatórios.
Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, além da aplicação de medidas cautelares e patrimoniais. Segundo a PF, a operação resultou na apreensão de:
- 33 celulares;
- 34 dispositivos eletrônicos (notebooks, HDs e tablets);
- 4 veículos;
- 117 documentos;
- R$ 251 mil em espécie.
Parte do dinheiro, cerca de R$ 52 mil, foi localizada em uma caixa de isopor na residência de Oseas Monthalggan, sócio da empresa. Gravações reunidas pelos investigadores mostram conversas entre sócios sobre a suposta distribuição de propina em contratos com a Prefeitura de Mossoró.
Em um dos diálogos citados pela investigação, há menção a um repasse de R$ 60 mil, equivalente a 15% de um contrato de R$ 400 mil, em referência ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União). A divisão dos valores teria sido chamada de “Matemática de Mossoró”.
O prefeito também foi alvo da operação. Na residência dele, os agentes apreenderam um celular, dois HDs e um notebook.
Além de Mossoró, a PF aponta que as supostas fraudes teriam ocorrido em outros cinco municípios: José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Mandados também foram cumpridos em Natal e Upanema.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação se baseia em auditorias da CGU, que identificaram falhas na execução contratual, incluindo indícios de aquisição de materiais não entregues, fornecimento inadequado de insumos e sobrepreço em contratos analisados.













