
A dívida bruta do governo geral alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, o equivalente a R$ 10,9 trilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central. Esse é o maior nível do indicador desde abril de 2021, quando a dívida correspondia a 82,6% do PIB.
Na comparação com junho, houve aumento de 0,6 ponto percentual. De acordo com o Banco Central, a alta foi influenciada principalmente pelos juros apropriados no período e pelas emissões líquidas de dívida.
Desde dezembro de 2022, quando a dívida bruta representava 71,7% do PIB, o indicador acumulou alta de 10,8 pontos percentuais. O percentual atual se aproxima dos níveis registrados durante a pandemia de Covid-19, mas ainda está abaixo do recorde de 87,7% do PIB, registrado em dezembro de 2020.
Setor público registra superávit em julho
Apesar da elevação do endividamento, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho. O resultado reúne as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais, excluindo bancos públicos e a Petrobras.
Em julho de 2025, o setor público havia registrado déficit primário de R$ 66 bilhões.
O resultado de julho deste ano foi distribuído da seguinte forma:
- Governo federal: superávit de R$ 11 bilhões;
- Estados e municípios: déficit de R$ 8,5 bilhões;
- Empresas estatais: déficit de R$ 1,1 bilhão.
Apesar do resultado positivo no mês, o acumulado de janeiro a julho registra déficit primário de R$ 78,8 bilhões.
Quando os juros da dívida são incluídos nas contas, o resultado permanece negativo. Em 12 meses encerrados em julho, o déficit nominal chegou a R$ 1,239 trilhão, equivalente a 9,34% do PIB.
Selic eleva custo da dívida
O nível da taxa Selic também influencia o custo do endividamento público, principalmente devido à parcela dos títulos vinculados à taxa básica de juros.
Segundo estimativa do Banco Central, uma elevação de 1 ponto percentual na Selic acrescenta aproximadamente R$ 60,6 bilhões à dívida bruta, valor equivalente a 0,46% do PIB.
Até julho, R$ 2,8 trilhões dos R$ 5,7 trilhões em títulos emitidos pelo Tesouro durante o atual mandato estavam vinculados à Selic. A parcela corresponde a 48,2% das emissões realizadas no período.













