
O curta-metragem As Dançadeiras de São Gonçalo será exibido no próximo dia 11 de julho, às 16h, durante a Mostra Horizontes do Festival Goiamum. A sessão acontecerá no auditório do Departamento de Comunicação Social da UFRN (DECOM). Com 16 minutos de duração, o documentário presta uma homenagem à tradição da Dança de São Gonçalo, mantida por mulheres da comunidade quilombola Pêga, localizada em Portalegre, no Alto Oeste potiguar.
Dirigido por Jorge Andrade, o filme se propõe a ir além do simples registro de uma manifestação cultural. Ele valoriza os gestos, os silêncios e as escolhas das dançadeiras, conectando fé, memória e identidade com a história do povo quilombola. “O filme nasce de um lugar de escuta e cuidado”, afirma o diretor. “Buscamos compreender o que motiva cada uma delas a continuar dançando”.
A Dança de São Gonçalo tem presença em diversas regiões do país, mas no Rio Grande do Norte está viva apenas em duas comunidades quilombolas de Portalegre: Pêga e Arrojado. A prática, de origem devocional ao santo português, foi ressignificada pelas mulheres da região, tornando-se uma expressão de resistência cultural e de afirmação de pertencimento.
O projeto nasceu com o objetivo de inverter a lógica comum das representações audiovisuais sobre grupos marginalizados, muitas vezes focadas na dor e na escassez. O documentário opta por contar a história a partir da própria comunidade, celebrando sua vivência, força e alegria. “É tão grandioso ver um trabalho sem o manto de induzir o retrospecto da dor alheia”, afirma a professora quilombola Ielândia Jacinto, que participa do filme. “É um trabalho construído e apresentado com muita ética, respeitando a história de nossas vidas”.
Antes de ser selecionado para o Festival Goiamum, que neste ano recebeu mais de 900 produções, o filme foi exibido na própria comunidade, em sessões organizadas como forma de devolutiva para os moradores de Portalegre.
As Dançadeiras de São Gonçalo faz parte da série documental Gente que Faz História, que busca valorizar a contribuição das comunidades quilombolas de Portalegre a partir de uma perspectiva interna. O projeto tem apoio do Sebrae-RN, por meio do edital de Economia Criativa, e da Prefeitura de Portalegre, via Lei Paulo Gustavo.













