
O comércio eletrônico brasileiro registrou mais de 368 mil tentativas de fraude no primeiro trimestre de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. O levantamento indica que o tíquete médio das tentativas chegou a R$ 917,52, valor 62% superior ao dos pedidos legítimos.
De acordo com o estudo, cerca de uma em cada 100 transações no e-commerce apresentou indícios de fraude no período. Os dados mostram ainda que os criminosos têm priorizado operações de maior valor financeiro, buscando ampliar o retorno por transação.
Entre as categorias mais afetadas estão produtos de beleza, com 33,7 mil tentativas registradas, seguidos por calçados (29,4 mil) e itens de saúde (18,9 mil). No segmento de saúde, a popularização de determinados produtos contribuiu para o aumento do interesse de fraudadores. Já no recorte por itens, celulares lideram as ocorrências.
Além do comércio eletrônico, o levantamento aponta um crescimento expressivo nas tentativas de fraude relacionadas à identidade digital. Foram registradas 1,495 milhão de ocorrências na etapa de cadastro e validação, alta de 36,6% em comparação ao mesmo período de 2025. O volume equivale a uma tentativa a cada cinco segundos e poderia gerar prejuízos estimados em até R$ 1,98 bilhão, caso não fosse bloqueado.
No recorte por setores, o segmento financeiro concentra a maior parte das ocorrências, reunindo seis em cada dez tentativas. Entre os principais alvos estão bancos, emissores de cartões e empresas de meios de pagamento e crédito. Em números absolutos, Meios de Pagamento lidera com 644.586 registros, seguido por Telefonia (313.200) e Bancos e Cartões (259.160).
Grupos e estruturas do crime digital
O relatório também identificou quase dois mil grupos ativos dedicados à troca e comercialização de conteúdos fraudulentos no primeiro trimestre do ano, um aumento de 139% na comparação anual. No período, foram registradas 19,7 milhões de mensagens relacionadas a golpes, média de 152 por minuto, além de 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos.
O avanço desses grupos indica uma estrutura mais organizada do crime digital, com expansão do modelo conhecido como Fraud as a Service (fraude como serviço), no qual ferramentas e golpes são comercializados para facilitar a atuação de criminosos.
O estudo aponta ainda a intensificação do uso de inteligência artificial generativa em fraudes. Segundo a Serasa Experian, a tecnologia tem sido utilizada para criar abordagens mais sofisticadas, com produção de conteúdos falsos, como textos, áudios e imagens, que aumentam a credibilidade dos golpes e dificultam a identificação por parte dos usuários.













