
Em um contexto de aumento do endividamento e maior acesso a linhas de crédito, a falta de preparo financeiro da população brasileira segue sendo um desafio. Segundo a 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban, conduzida pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 55% dos brasileiros afirmam ter pouco (40%) ou nenhum (15%) conhecimento em educação financeira.
Realizado em junho, o estudo ouviu três mil pessoas de todas as regiões do país. O levantamento também revelou que 39% dos entrevistados estão atualmente endividados, e entre esses, 23% acreditam que chegarão ao fim de 2025 com mais dívidas do que no ano anterior.
Para a gerente de Departamento Pessoal Amanda Rangel, o cenário exige atenção redobrada, especialmente diante do crescimento das opções de crédito fácil, como o consignado. “Ao mesmo tempo em que é uma forma acessível de empréstimo que facilitou o acesso ao crédito com taxas de juros mais baixas, também pode se transformar em uma armadilha financeira”, afirma.

A preocupação se intensifica com a criação do Crédito do Trabalhador, linha de crédito consignado destinada a profissionais com carteira assinada (CLT), lançada em março. De acordo com Amanda, o uso irresponsável dessa modalidade pode agravar o endividamento e afetar o equilíbrio financeiro e emocional do trabalhador.
Ela aponta que os efeitos do superendividamento já são perceptíveis nas organizações. “Entre os principais impactos estão a queda de produtividade, o aumento do absenteísmo e até a elevação do turnover, quando os profissionais buscam novos empregos apenas para melhorar o salário e tentar equilibrar o orçamento. A insatisfação financeira individual tende a impactar o clima organizacional, gerando desmotivação coletiva”, explica.
Embora as empresas não possam interferir diretamente na vida financeira de seus funcionários, a especialista destaca o papel estratégico do setor de Recursos Humanos na mitigação desses problemas. “O papel do RH e da Gestão de Pessoas é desenvolver sensibilidade para identificar sinais de que os colaboradores estão enfrentando dificuldades financeiras e emocionais”, observa Amanda Rangel.
O estudo também revelou que 77% das pessoas endividadas relatam impactos na saúde mental e na qualidade de vida, refletindo um problema que vai além do bolso. Por isso, a gestora da DPi defende que o apoio ao colaborador deve envolver diferentes setores da empresa.
“Vivemos em uma sociedade marcada pelo consumo imediato e pelas decisões impulsivas, e é justamente nesse contexto que a educação financeira pode transformar realidades. Ao estimular o planejamento, a disciplina e a visão de longo prazo, as empresas fortalecem a saúde financeira dos colaboradores, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para o aumento da produtividade organizacional. Por isso, é tão importante o engajamento das empresas”, conclui.















