
O eleitorado que não se identifica com os principais grupos políticos do país tende a desempenhar um papel decisivo na eleição presidencial de 2026. A avaliação foi apresentada pelo CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, durante a análise da mais recente rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada na segunda-feira (3).
No cenário estimulado para o primeiro turno, o levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 41% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece com 37%. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Segundo a pesquisa, o quadro permanece estável desde o início das entrevistas, realizadas a partir de 15 de junho, com pequenas oscilações nos percentuais.
Além das intenções de voto, o estudo traçou o perfil do eleitorado brasileiro e identificou uma divisão entre grupos com posicionamentos políticos consolidados e aqueles sem identificação fixa. Os dados indicam que:
- 29% dos brasileiros se declaram bolsonaristas convictos;
- 25% afirmam ter fidelidade ao campo lulista;
- 20% são eleitores não polarizados;
- 10% rejeitam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.
De acordo com Marcelo Tokarski, os eleitores não polarizados são, em sua maioria, jovens, vivem em grandes centros urbanos e pertencem à classe média ou possuem renda superior. “Eles são eleitores com um voto mais pragmático. Trata-se de um grupo sem alta rejeição, mas que também não veste a camisa de nenhum candidato”, afirmou.
O levantamento também indica que esse segmento apresenta comportamento eleitoral mais volátil. Embora a pesquisa registre uma preferência momentânea por Luiz Inácio Lula da Silva, esses eleitores já demonstraram apoio a Flávio Bolsonaro em levantamentos anteriores. Esse perfil, conhecido como swing voter, costuma reavaliar suas escolhas ao longo da campanha com base em propostas, desempenho dos candidatos e contexto político.
Na avaliação da Nexus, o cenário aponta para uma disputa equilibrada até a votação de outubro de 2026, com espaço para mudanças ao longo da campanha. A capacidade dos candidatos de dialogar com eleitores que priorizam resultados práticos, mais do que alinhamentos ideológicos, poderá influenciar o desfecho da eleição.












