
A proximidade da vigência da Reforma Tributária e das novas regras do Imposto de Renda, que começam a valer em janeiro de 2026, tem levado empresas de diversos setores a antecipar procedimentos contábeis, ajustar rotinas internas e revisar estruturas societárias ainda em dezembro. A movimentação, segundo especialistas, busca cumprir prazos legais, evitar inconsistências e alinhar operações ao novo ambiente fiscal.
Entre os principais movimentos observados está a antecipação de balanços, medida adotada especialmente por sociedades anônimas que pretendem distribuir lucros isentos antes do início da taxação prevista pelo imposto mínimo. Para isso, companhias têm convocado assembleias e reuniões de sócios com o objetivo de aprovar demonstrações financeiras e formalizar deliberações até 31 de dezembro.
De acordo com o contador Daniel Carvalho, diretor da Rui Cadete Consultores Associados, o processo exige atenção à formalização documental. “Esses ajustes precisam ser feitos com segurança jurídica. Documentos bem preparados e decisões formalizadas reduzem o risco de autuações e dão previsibilidade ao planejamento das empresas, especialmente em um cenário que segue em evolução”, ressalta.
Carvalho lembra que o Senado ainda pode estender para abril o prazo das deliberações sobre distribuição de lucros e que pontos específicos dependem de regulamentação adicional. “A legislação pode passar por novas definições. Então empresas e contribuintes devem monitorar os atos normativos e revisar procedimentos sempre que houver mudanças”, pondera.
Paralelamente, a primeira etapa da Reforma Tributária inclui novas obrigações no início de 2026, como a implementação do padrão nacional de nota fiscal e o uso do ambiente de testes disponibilizado pelo governo. Segundo o diretor da Rui Cadete, essas demandas devem integrar o planejamento. “A transição será gradual e deve avançar ao longo de 2026, mas é essencial que as empresas se organizem desde já”, afirma.
Impactos trabalhistas e ajustes na folha
As mudanças também atingem as rotinas trabalhistas. A diretora da DPi, Anna Karenina Dantas, destaca que as empresas precisam garantir que seus sistemas estejam adequados às novas bases e alíquotas do IR aplicadas a salários e dividendos.
“Isso abrange revisões em softwares de folha, parametrizações de retenções e ajustes no cálculo de remunerações, incluindo testes e conferências adicionais. Por isso, é tão importante que as empresas validem seus processos antes da virada do ano, reduzindo o risco de inconsistências já nos primeiros meses de vigência das novas regras”, orienta.
Webinar sobre o novo Imposto de Renda
Na próxima quarta-feira (10), às 8h, a Rui Cadete promove o webinar “Imposto de Renda 2026: como a nova lei afeta seu bolso – Quem ganha, quem paga e o que muda para você”, com a participação do contador Daniel Carvalho. O encontro vai detalhar as alterações trazidas pela Lei nº 15.270, que amplia a faixa de isenção para rendas de até R$ 5 mil, inclui descontos para quem recebe até R$ 7.350 e eleva a taxação para salários mais altos.













