
Empresas brasileiras têm ampliado investimentos em programas de saúde voltados ao combate à obesidade, incluindo o subsídio parcial ou integral de medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. A estratégia já é adotada ou avaliada por companhias de grande porte, como a Petrobras, a VLI Logística e a Mondelez International.
A iniciativa surge em um contexto de crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade no país, condição que também impacta os custos corporativos relacionados à assistência médica e à saúde ocupacional.
Segundo informações publicadas pelo jornal Estadão, o movimento ainda está em fase inicial, mas já é observado por empresas de telemedicina, operadoras de planos de saúde e entidades ligadas à qualidade de vida no ambiente de trabalho.
Na Teladoc Health, especializada em medicina remota para trabalhadores de empresas, cerca de um quarto das organizações atendidas já implementou ou estuda programas que incluem esses medicamentos. O tema também vem sendo acompanhado pela Slimpass, empresa especializada em gestão de obesidade. Atualmente, aproximadamente 10% dos clientes da companhia subsidiam o tratamento, enquanto outros 20% analisam a possibilidade de aderir à prática.
Especialistas apontam que a expectativa de redução dos preços dos medicamentos, impulsionada pelo vencimento de patentes relacionadas à semaglutida, tem contribuído para ampliar o interesse do setor empresarial. A avaliação é que custos menores podem facilitar a expansão do acesso aos tratamentos e tornar os programas mais sustentáveis financeiramente.
A Associação Brasileira de Qualidade de Vida também identificou um aumento na destinação de recursos por parte das empresas para ações voltadas à prevenção e ao tratamento da obesidade entre seus colaboradores.
Programa da VLI inclui acompanhamento especializado
Um dos exemplos citados é o da VLI, empresa do setor de logística multimodal com cerca de 8 mil funcionários. Durante exames periódicos realizados em 2025, a companhia identificou aproximadamente 2 mil empregados com algum grau de obesidade.
Após avaliações médicas, 206 colaboradores foram selecionados para participar de um programa específico de tratamento, sendo distribuídos em quatro grupos. O primeiro grupo, composto por 55 funcionários, iniciou o acompanhamento em fevereiro deste ano.
Para esta fase inicial, a empresa investiu cerca de R$ 200 mil na aquisição dos medicamentos, custeando integralmente o tratamento dos participantes selecionados.
Tratamento envolve equipe multidisciplinar
Além do fornecimento das canetas emagrecedoras, a iniciativa da VLI prevê acompanhamento contínuo por uma equipe formada por endocrinologistas, médicos do trabalho, nutricionistas, psicólogos e preparadores físicos.
O programa integra uma política mais ampla de saúde corporativa da empresa, denominada Bem Cuidar, que busca oferecer assistência abrangente aos trabalhadores.
De acordo com a médica do trabalho e gerente de Saúde da VLI, Aparecida Carvalho, os medicamentos têm apresentado resultados promissores no tratamento da obesidade. No entanto, ela ressalta que o acompanhamento profissional permanece essencial para a obtenção de resultados duradouros e para a promoção da saúde dos participantes.











