
Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, mais pessoas LGBTQIA+ chegam à terceira idade, mas muitas enfrentam um cenário marcado por solidão, preconceito e abandono. Ativistas e especialistas alertam que o envelhecimento dessa população exige cuidados específicos, além de ações urgentes do poder público.
“Envelhecer não é morrer, é viver cada dia mais”, afirma Dora Cudignola, 72 anos, ativista lésbica e fundadora da associação EternamenteSOU, em São Paulo. “O meu desejo é que haja instituições de longa permanência para LGBTs, para não separar essas pessoas e, sim, tê-las em comunidade, juntas, contando suas histórias.”
Criada em 2017, a entidade acolhe idosos LGBTQIA+ que enfrentam exclusão familiar e preconceito, inclusive dentro do próprio sistema de saúde. Para Dora, o SUS ainda é essencial, mas precisa de profissionais capacitados para atender com respeito à identidade de cada pessoa.
Especialistas defendem políticas públicas inclusivas
Para o gerontologista Diego Felix Miguel, presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ainda falta preparo nas instituições de longa permanência e políticas públicas voltadas à diversidade no envelhecimento.
“Essas pessoas tendem a voltar para o armário para serem cuidadas. Precisamos garantir que cheguem vivas a serviços que respeitem suas histórias e identidades”, diz ele.
O geriatra Milton Crenitte, da USP, destaca que o isolamento social é mais intenso entre idosos LGBTQIA+ e que a solidão pode afetar diretamente a saúde mental e física dessa população.
“Solidão mata. A literatura médica mostra que isolamento é tão nocivo quanto fumar. E a população LGBT envelhece mais sozinha do que seus pares heterossexuais.”
A presidente da Antra, Bruna Benevides, chama atenção para a negligência enfrentada por travestis e mulheres trans desde a infância, com consequências devastadoras na velhice.
“Na velhice, esse abandono se manifesta em dores físicas, doenças não tratadas, saúde mental devastada e, sobretudo, na sensação de que nossas vidas foram tratadas como descartáveis.”
Para especialistas, envelhecer com dignidade é um direito básico, e o Brasil precisa garantir que esse direito seja respeitado também entre as populações historicamente marginalizadas.
“Só teremos um futuro digno se o acesso ao envelhecimento for igual para todos, com respeito, cuidado e políticas que reconheçam a diversidade”, conclui Crenitte.
*Com Informações de Agência Brasil
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