
Com a proximidade do fim do ano, as confraternizações se intensificam e o consumo de bebidas alcoólicas passa a fazer parte da rotina de muitos brasileiros. O tema tem ganhado atenção também no ambiente universitário, especialmente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde ações e debates sobre saúde, qualidade de vida e hábitos alimentares fazem parte da agenda acadêmica.
Especialistas alertam que, para pessoas em processo de emagrecimento, seja por reeducação alimentar, prática de atividades físicas ou tratamentos médicos, o consumo excessivo de álcool pode comprometer resultados acumulados ao longo de semanas ou meses. Isso ocorre porque o álcool possui alto valor calórico e interfere diretamente no metabolismo.
“Entre brindes e resenhas, o álcool é sim um vilão. Para quem está empenhado em emagrecer, seja por reeducação alimentar, prática de atividades físicas, uso de medicamentos ou qualquer outra alternativa para perda de peso, essa agenda social pode se tornar uma armadilha silenciosa. Praticamente, os alcoólicos não trazem nenhum valor nutricional e o grande problema não é só a caloria em si, mas o impacto metabólico. O corpo, ao metabolizar o álcool, prioriza a sua eliminação e, com isso, paralisa temporariamente a queima de gordura”, alerta Dr. Mauro Lúcio Jácome, gastroenterologista, cirurgião geral e diretor da Clínica Cronos.
O alerta é pertinente em períodos de festas, quando uma única confraternização pode representar a ingestão de centenas de calorias apenas com bebidas alcoólicas. Uma taça de vinho tinto contém cerca de 125 calorias; o vinho branco, aproximadamente 120; o espumante, em torno de 100 calorias por taça. Já uma lata de cerveja, com 350 ml, soma cerca de 147 calorias.
Drinks costumam ser vistos como alternativas menos calóricas, mas também exigem atenção. Um coquetel com vodca e suco de frutas pode ultrapassar 200 calorias por dose, enquanto um gin tônica tradicional varia entre 180 e 190 calorias.
“Para quem está passando por um tratamento de perda de peso, três cervejas ou três taças de vinho, acompanhadas de algum petisco, que naturalmente já é calórico, já pode ser catastrófico. Isso porque, além de acabar ocupando o lugar de uma refeição, ainda não lhe rendeu a quantidade de nutrientes necessária para a sustentação do corpo. Ou seja, além do superávit calórico, a pessoa ainda não se nutre suficientemente. E isso vira uma bola de neve no final das contas”, completa Dr. Mauro.
O cuidado deve ser ainda maior entre pessoas que utilizam medicações injetáveis para controle do apetite, como tizerpatida e semaglutida. Esses medicamentos atuam na saciedade e no metabolismo da glicose, efeitos que podem ser prejudicados pelo consumo de álcool.
“Para os pacientes em tratamento com medicamentos injetáveis para controle de apetite, os prejuízos podem ser ainda maiores. Porque o álcool interfere em múltiplos aspectos do metabolismo e pode atrapalhar os mecanismos de saciedade promovidos pelos injetáveis. Esses medicamentos alteram o metabolismo da glicose e a saciedade, mas o álcool interfere diretamente nesses mecanismos e pode aumentar o apetite, neutralizando os efeitos do medicamento, e ainda potencializar efeitos colaterais como náuseas ou tontura. Além disso, a falsa sensação de controle que os remédios dão pode levar a exageros inconscientes”, salienta o médico.
No contexto da UFRN, o tema dialoga com iniciativas voltadas à promoção da saúde e do bem-estar da comunidade acadêmica. A orientação dos especialistas não é necessariamente a exclusão total do álcool, mas a adoção de consumo moderado e consciente durante as celebrações.
“O melhor é não consumir, mas, como não tem jeito, a sugestão é optar por bebidas com menor teor calórico, intercalar com água, manter a refeição base equilibrada, evitar repetir doses e evitar misturas carregadas de açúcar ou gordura. Um brinde pontual não precisa destruir semanas de esforço, mas é importante não enxergar o álcool como algo ‘à parte’ da dieta, mas como parte da conta calórica e metabólica”, orienta Dr. Mauro Lúcio Jácome.











