
Irritação, cansaço intenso, dificuldade de concentração e sensação de desânimo nos dias seguintes ao Carnaval podem estar relacionados a um esgotamento emocional provocado pelo excesso de estímulos durante o período festivo. A avaliação é da psicóloga Candice Galvão, especialista em saúde mental, neuropsicologia e regulação emocional.
Após dias marcados por pouco sono, consumo de álcool, alteração de horários e intensa estimulação sensorial, o organismo precisa de tempo para retomar o ritmo habitual. Do ponto de vista neurobiológico, há uma redução nos níveis de dopamina e adrenalina, neurotransmissores associados à energia e ao prazer, quando a rotina é restabelecida de forma abrupta. Essa mudança pode gerar sensação de vazio, oscilação de humor e dificuldade de foco.
Estudos sobre privação de sono indicam que poucas noites mal dormidas já comprometem atenção e memória em até 30%, o que ajuda a explicar a redução temporária da produtividade no retorno às atividades profissionais.
Para Candice Galvão, a reação do corpo é previsível diante de dias de estímulo constante. “O sistema nervoso entra em modo de excitação constante durante a folia. Quando a rotina volta de repente, o cérebro sente a queda. Essa transição pode provocar irritabilidade, cansaço extremo e falta de foco. Não é preguiça, é uma resposta emocional do organismo”, explica.
A especialista afirma que a psicoterapia pode contribuir tanto na prevenção quanto no enfrentamento desse tipo de desconforto. “A psicoterapia ajuda antes, durante e depois. Antes, fortalecendo autoconhecimento e limites. Durante, promovendo consciência das escolhas. E depois, auxiliando o cérebro a reorganizar emoções e rotina sem sobrecarga. Saúde mental não é emergencial, é construção contínua”, afirma.
Segundo ela, o acompanhamento psicológico não deve ser buscado apenas em momentos de crise. “Psicoterapia é cuidado preventivo. É o que sustenta o equilíbrio ao longo do ano”.
A profissional relata aumento na procura por atendimento após feriados prolongados e períodos de intensa socialização, como festas de fim de ano e grandes eventos. Para ela, compreender as reações do próprio corpo é passo fundamental para reduzir a autocobrança. “Não é preguiça. É um sistema emocional pedindo regulação. Quando entendemos isso, paramos de nos culpar e começamos a nos cuidar”.













