
Um estudo apresentado pelo Sebrae RN aponta que a cadeia de petróleo e gás onshore tem influência decisiva na economia potiguar. Responsável por cerca de 40% do PIB industrial do Rio Grande do Norte e por 23% da arrecadação de ICMS, o setor foi identificado como motor do desenvolvimento no Oeste Potiguar, especialmente na região de Mossoró.
O levantamento, intitulado “Impacto do Onshore no Desenvolvimento Econômico” e elaborado pela Neoway em parceria com o Sebrae RN e a Nilo Engenharia, indica que, entre 2011 e 2021, os municípios onde a indústria extrativa ganhou força registraram crescimento acumulado mediano de 437,6% no valor adicionado da indústria. Nas cidades onde o setor permaneceu estável, esse índice ficou em 37,6%, e houve redução de 14% em locais que apresentaram retração.
Outro ponto analisado foi o PIB per capita. Na última década, municípios que ampliaram o protagonismo da indústria extrativa tiveram crescimento mediano de 116%. Já aqueles onde o setor não avançou registraram incrementos menores, de cerca de 111% e 80,8%.
Os resultados foram apresentados ontem (25), na abertura do Mossoró Oil & Gas Energy 2025, que acontece na Arena Partage Shopping. O estudo também projeta cenários futuros, estimando efeitos econômicos caso a indústria de óleo e gás dobrasse de tamanho. A modelagem considera dados de 1.111 municípios produtores ou recebedores de royalties entre 2014 e 2024 e avalia impacto sobre emprego, renda, arrecadação e PIB per capita.
Segundo o levantamento:
- Dobrar as intervenções em poços aumentaria 14,3% os empregos e 18% os salários.
- Ampliar a duração de abandono de poços geraria crescimento de 32,4% nos empregos e 33% nos salários em municípios vizinhos.
- A arrecadação de ICMS subiria 14,8% e a de ISS 28% com o dobro de intervenções de abandono.
- O PIB per capita teria aumento de 13,6% caso o número de empresas da cadeia energética dobrasse.
O estudo destaca ainda que o licenciamento ambiental é determinante para ampliar resultados e que intervenções técnicas, como completação, perfuração, abandono e workover, funcionam como motores de geração de empregos e receita pública.
Durante a apresentação, o diretor superintendente do Sebrae RN, José Ferreira de Melo Neto, afirmou que o levantamento deve orientar a construção de um novo arranjo produtivo para o setor. “A gente tem que construir, juntos, um arranjo produtivo que beneficie todo mundo, que seja mais inclusivo, unindo as empresas, a federação das indústrias, as universidades e demais entidades para incorporar inovação tecnológica e qualificação de recursos humanos nesse processo. Esse estudo apresentado aqui hoje é um roteiro para iniciarmos essa caminhada, que vai nos ajudar a enfrentar problemas sérios do setor, como o licenciamento ambiental”, declarou.
O presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, também manifestou apoio. “Desafio aceito. A pauta para o setor foi apresentada nesse estudo, e precisamos agora saber aproveitar tais informações para um melhor direcionamento das ações e, de forma estratégica, calibrar esse ambiente de negócios e desenvolver ainda mais o potencial gigante que o setor possui”, disse.
A cerimônia contou com a presença da governadora Fátima Bezerra, do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, além de representantes de operadoras e entidades do setor energético. O presidente da Redepetro RN, José Nilo de Souza Júnior, lembrou que as 50 empresas associadas geram 12 mil empregos e reforçou o papel estratégico do evento: “Mossoró é celeiro de oportunidades. Aproveitem a feira para fazer bons contatos, bons negócios”.
Realizado pela Redepetro RN, com apoio do Sebrae RN e da Ufersa, o Mossoró Oil & Gas Energy segue até esta quinta-feira (27). Em 2025, o evento chega à décima edição, consolidado como um dos principais encontros do setor de petróleo e gás onshore no Brasil e na América Latina.













