
Cada R$ 1 investido na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) gera R$ 1,45 em produção econômica no estado. A conclusão é de um estudo divulgado pelo Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon-RN), que analisou os efeitos da execução orçamentária da instituição sobre a economia potiguar.
Com base nos dados de 2024, quando a universidade liquidou R$ 422,5 milhões em despesas, sendo R$ 420,8 milhões considerados na análise econômica, os pesquisadores estimaram que as atividades da Uern geraram R$ 437,1 milhões em produção econômica, considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos.
Somado ao retorno fiscal estimado em R$ 118,7 milhões em receitas correntes, principalmente por meio de ICMS e Imposto de Renda, o impacto econômico agregado alcançou R$ 555,8 milhões.
Segundo o levantamento, o multiplicador econômico da universidade é de 1,45, indicando que cada real aplicado na instituição resulta em aproximadamente R$ 1,45 na produção de bens e serviços no Rio Grande do Norte.
O estudo foi elaborado pelos economistas Adonias Vidal de Medeiros Júnior e Arthur Henrique Pinheiro Néo, utilizando dados da execução orçamentária da Uern e uma matriz de insumo-produto regionalizada para mensurar os efeitos dos investimentos sobre diferentes segmentos da economia estadual.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que os resultados representam uma estimativa conservadora.
“Os efeitos da Uern na economia do Estado do RN são significativamente maiores do que os observados nesta análise.”
Eles afirmam ainda que os números apresentados representam apenas um “limite mínimo (piso) dos impactos reais”, em razão da indisponibilidade de dados capazes de mensurar toda a cadeia de geração de empregos, renda e consumo.
Recursos movimentam diversos setores
O estudo aponta que os investimentos realizados pela universidade impulsionam diferentes atividades econômicas. Obras, reformas, aquisição de equipamentos, compra de materiais, contratação de serviços, bolsas estudantis, pesquisa, extensão, inovação e a folha de pagamento geram demanda em diversos segmentos produtivos.
Entre os setores beneficiados estão:
- construção civil;
- indústria de transformação;
- comércio atacadista e varejista;
- transporte;
- tecnologia da informação;
- telecomunicações;
- mercado imobiliário;
- saúde;
- educação;
- hotelaria;
- alimentação;
- serviços especializados.
Segundo os pesquisadores, cada contratação realizada pela universidade gera novas demandas ao longo da cadeia produtiva. Uma obra, por exemplo, mobiliza fornecedores de cimento, aço, concreto, madeira, máquinas, transporte, energia elétrica e mão de obra, que, por sua vez, contratam novos serviços e adquirem outros insumos.
O levantamento destaca que esse processo ocorre continuamente ao longo do ano, ampliando a circulação de recursos na economia potiguar.
Presença no interior amplia impacto regional
Outro ponto ressaltado pelo estudo é a distribuição geográfica da universidade. Com seis campi presenciais e polos de educação a distância distribuídos por diferentes regiões do estado, a circulação dos recursos não se concentra apenas em Mossoró e Natal.
Na avaliação do Corecon-RN, essa estrutura fortalece as economias locais, estimula o comércio, amplia a prestação de serviços e contribui para reduzir as desigualdades entre as regiões.
“Essa capilaridade geográfica da Universidade funciona como um polo de atração de talentos e um catalisador de oportunidades econômicas, fortalecendo a resiliência das economias municipais e promovendo a interiorização do desenvolvimento técnico-científico.”
Além do impacto econômico imediato, o estudo aponta que a Uern exerce papel estratégico na formação de profissionais, no desenvolvimento de pesquisas, na inovação e no aumento da produtividade da economia estadual.
Atualmente, a instituição conta com:
- seis campi presenciais;
- cerca de 20 polos de educação a distância;
- 109 cursos de graduação e pós-graduação;
- mais de 1,5 mil servidores;
- mais de 18 mil estudantes;
- mais de 72,5 mil profissionais diplomados, sendo mais de 60 mil em cursos de graduação.
O levantamento também informa que aproximadamente 90% dos professores das redes públicas de ensino do interior do Rio Grande do Norte foram formados pela universidade.
Nova etapa poderá ampliar estimativas
Os pesquisadores defendem a realização de uma segunda fase do estudo para mensurar de forma mais ampla os impactos econômicos gerados pela instituição.
Segundo o documento, as estimativas preliminares indicam que, com modelos econômicos mais abrangentes, o impacto da Uern poderá alcançar aproximadamente R$ 2,7 bilhões em produção econômica agregada, além da geração de 17 mil a 22 mil empregos.
O estudo também destaca que o Rio Grande do Norte atravessa um período de oportunidade demográfica, com elevada parcela da população em idade ativa nas próximas décadas. Na avaliação dos autores, o fortalecimento do ensino superior será um dos fatores essenciais para transformar esse cenário em crescimento econômico, aumento da produtividade e desenvolvimento regional.













