
Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) concluiu que o Programa Bolsa Família tem contribuído para reduzir a defasagem escolar entre mães adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O estudo mostrou que jovens beneficiárias da política de transferência de renda apresentam menores índices de atraso nos estudos quando comparadas a adolescentes com perfil socioeconômico semelhante que não recebem o benefício.
A investigação foi realizada por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem/UFRN) e analisou informações da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, abrangendo o período de 2004 a 2015. O trabalho acompanhou ao longo do tempo as trajetórias educacionais das participantes para avaliar os impactos do programa sobre a permanência escolar.
Os resultados indicam que os efeitos foram mais expressivos no Semiárido Setentrional. Na região, fazer parte de uma família beneficiária do Bolsa Família reduziu em mais de 12 pontos percentuais a probabilidade de a adolescente apresentar atraso escolar no momento da primeira maternidade.
O estudo foi desenvolvido por Herick Cidarta Gomes de Oliveira e contou com a coautoria de Luana Junqueira Dias Myrrha, ambos do PPGDem/UFRN, e de Dandara de Oliveira Ramos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A pesquisa integra uma parceria entre o programa de pós-graduação da UFRN e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia).
De acordo com Herick Oliveira, primeiro autor do estudo, os resultados demonstram que o programa contribui para a permanência das jovens na escola. A pesquisa também observou que os impactos positivos tendem a ser maiores entre aquelas que permaneceram por mais tempo vinculadas ao Bolsa Família.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que políticas complementares continuam sendo necessárias para ampliar as oportunidades educacionais das mães adolescentes. Entre as medidas sugeridas estão a expansão da oferta de creches em tempo integral e a criação de espaços de acolhimento infantil que facilitem a continuidade dos estudos.
Os resultados foram publicados no artigo “Efeitos do Bolsa Família sobre a defasagem escolar de mães adolescentes: evidências regionais com dados longitudinais da Coorte de 100 milhões de brasileiros”, divulgado pela revista Estudos Econômicos. O trabalho é fruto da tese de doutorado de Herick Oliveira, disponível no Repositório Institucional da UFRN.











