
Os Estados Unidos e o Irã firmaram, nesta terça-feira, um acordo provisório que estabelece uma trégua de duas semanas entre os dois países. A medida prevê a suspensão de ataques militares por parte dos norte-americanos e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A negociação contou com mediação de autoridades do Paquistão.
O entendimento ocorre em meio à escalada de tensões entre as duas nações e cria condições para o início de negociações formais de paz. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, o país suspenderá suas ações defensivas desde que não haja novos ataques. Ele afirmou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será mantida de forma segura durante o período, com coordenação das Forças Armadas iranianas.
Ainda de acordo com Araghchi, os Estados Unidos solicitaram negociações baseadas em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano iraniano de 10 pontos como base para o diálogo. As conversas estão previstas para começar na próxima sexta-feira (10), no Paquistão, com expectativa de avanço durante o período da trégua.
A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump”, ao afirmar que os Estados Unidos teriam aceitado termos apresentados por Teerã. O governo iraniano, no entanto, manteve posição de alerta. O Conselho Supremo de Segurança Nacional declarou que seguirá preparado para reagir a eventuais ações adversárias, mantendo “os dedos no gatilho”.
Suspensão ocorre após ultimato
A trégua foi anunciada horas antes do prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia condicionado a suspensão de ataques à reabertura do Estreito de Ormuz. Em publicação, o presidente afirmou: “Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”
Trump também declarou que os objetivos militares norte-americanos já haviam sido alcançados e indicou que há avanços nas negociações para um acordo mais duradouro. Informações de fontes da Casa Branca apontam que Israel também integra o entendimento, com reflexos em áreas como o Líbano.
Contexto de tensão regional
O acordo ocorre após episódios recentes de ataques e ameaças entre as partes. Antes da trégua, os Estados Unidos atingiram a ilha de Kharg, considerada um dos principais centros de exportação de petróleo do Irã. Israel também informou a realização de ofensivas contra estruturas como pontes, ferrovias e aeroportos em território iraniano.
Em resposta, o Irã indicou possibilidade de retaliação contra alvos estratégicos na região do Golfo, incluindo refinarias e usinas de dessalinização em países vizinhos. O país também declarou o fim de relações de “boa vizinhança” com algumas nações da região.
O cenário gerava preocupação internacional diante do risco de impactos humanitários e econômicos, como interrupção no fornecimento de energia, pressão sobre os preços do petróleo e possibilidade de danos a instalações sensíveis.
A trégua estabelecida representa uma pausa nas hostilidades e abre espaço para negociações diplomáticas, enquanto as partes mantêm posições cautelosas sobre os próximos desdobramentos.













