
O Exército Brasileiro apresentou um projeto nacional voltado ao uso coordenado de múltiplos drones em operações militares. A iniciativa foi desenvolvida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, por meio do Instituto Militar de Engenharia, e integra pesquisas em áreas como robótica, inteligência artificial e sistemas autônomos.
O projeto, denominado “Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres: Guiamento, Controle e Navegação (EVAAT-GCN)”, conhecido como Sistema “Enxame de Drones”, busca desenvolver um demonstrador tecnológico capaz de coordenar diversos robôs autônomos, tanto aéreos quanto terrestres, em ações integradas.
A proposta prevê que os equipamentos atuem de forma colaborativa, com troca de dados em tempo real e tomada de decisões distribuída. A tecnologia poderá ser utilizada em missões de reconhecimento e vigilância, além de oferecer suporte a operações militares com maior precisão, reduzindo a exposição de militares em áreas de risco.
O chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, Hertz Pires do Nascimento, apresentou detalhes da iniciativa. “Estamos apresentando o resultado prático de um dos projetos financiados pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), o ‘Enxame de Drones’. Teremos drones de reconhecimento e drones armados, equipados com diversos sensores, com uma série de capacidades disruptivas, que nós estamos trabalhando para finalizar até o final deste ano”.
De acordo com o Exército, o projeto também busca estabelecer bases para um futuro sistema padronizado de emprego militar. A expectativa é que, posteriormente, a tecnologia possa ser produzida por empresas da Base Industrial de Defesa brasileira.
Iniciado há cerca de um ano, o projeto encontra-se em estágio avançado de desenvolvimento. Entre os próximos passos previstos estão a integração de recursos de realidade virtual e aumentada para interação com o sistema, a ampliação do número de drones operando simultaneamente e a incorporação de novos equipamentos, incluindo aeronaves de asa fixa e veículos terrestres autônomos.
Parceria com a FINEP
O desenvolvimento do sistema conta com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além dos pesquisadores e alunos do IME, participam do projeto instituições brasileiras de pesquisa, como a Universidade Federal de Pernambuco, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e o Laboratório Nacional de Computação Científica.
Atualmente, o Exército mantém 48 projetos de pesquisa em parceria com a FINEP. As iniciativas abrangem áreas como defesa cibernética, tecnologias quânticas, robótica, inteligência artificial, radares e sensores, proteção balística e defesa química, biológica, radiológica e nuclear.
Durante a apresentação do andamento das pesquisas, representantes das instituições envolvidas destacaram a importância da cooperação científica para o desenvolvimento tecnológico nacional. O diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da FINEP, Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, ressaltou o papel da divulgação dos resultados das iniciativas financiadas em parceria com o Exército e seus possíveis impactos para o avanço tecnológico do país.
Segundo os organizadores, os investimentos em pesquisa e inovação também contribuem para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira, ampliando a produção de conhecimento e o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas à segurança nacional.













