
As mulheres nordestinas estão tendo menos filhos e postergando a maternidade, seguindo uma tendência nacional de queda na fecundidade. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27), a Taxa de Fecundidade Total (TFT) no Nordeste foi de 1,60 filho por mulher, a segunda maior do país, atrás apenas da região Norte (1,89). Ainda assim, o índice nordestino ficou acima das médias do Centro-Oeste (1,53), Sul (1,52) e Sudeste (1,45).
A redução é expressiva quando comparada às décadas anteriores. Em 1960, a TFT no Nordeste era de 7,39 filhos por mulher — um cenário de alta natalidade que hoje dá lugar a famílias menores e maior controle reprodutivo. Os dados indicam que, embora ainda acima da média nacional (1,55), o Nordeste acompanha a tendência de declínio da fecundidade, impulsionada por fatores como maior escolarização feminina, urbanização e acesso a métodos contraceptivos.
A idade média da fecundidade também aumentou na região. Em 2022, o pico da curva que antes se concentrava entre mulheres de 20 a 24 anos passou para o grupo de 25 a 29 anos, revelando uma mudança no momento em que as mulheres decidem ter filhos. Essa transição foi observada também nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Além disso, o Nordeste se destacou na queda do número médio de filhos entre mulheres que já passaram pelo ciclo reprodutivo. Na Bahia, por exemplo, esse número caiu de forma acentuada: entre 2010 e 2022, a média de filhos de mulheres de 50 a 59 anos caiu 36,8% — a maior redução entre os estados.
O cenário nacional reflete essa mesma transformação. A idade média da fecundidade no Brasil subiu para 28,1 anos, em comparação com 26,8 anos em 2010. O Distrito Federal apresentou o índice mais alto do país (29,3 anos), enquanto o Pará teve o mais baixo (26,8).
Outro dado que chama atenção é o crescimento no número de mulheres que encerram a vida reprodutiva sem ter filhos. No Brasil, o percentual de mulheres de 50 a 59 anos que nunca tiveram filhos vivos passou de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. O Rio de Janeiro lidera esse ranking, com 21%.
O levantamento do IBGE também analisou variáveis como escolaridade, raça e religião. Mulheres com nível superior completo apresentaram a menor taxa de fecundidade (1,19 filho por mulher), enquanto aquelas com menor escolaridade chegaram a 2,01 filhos. Já por cor ou raça, as mulheres brancas registraram a idade média mais alta para a maternidade (29 anos), enquanto as mulheres indígenas apresentaram a maior TFT (2,84), sendo o único grupo acima do nível de reposição populacional (2,1 filhos por mulher).
No recorte religioso, mulheres evangélicas foram as únicas com taxa de fecundidade acima da média nacional (1,74). Já espíritas (1,01), praticantes de Umbanda e Candomblé (1,25) e católicas (1,49) ficaram abaixo da média. A idade para engravidar também variou conforme a fé: espíritas, por exemplo, concentram a maternidade entre os 30 e 34 anos, enquanto mulheres sem religião e de religiões de matriz africana têm filhos mais cedo.
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