
A Câmara Municipal de Natal foi palco de uma audiência pública nesta sexta-feira (28), reunindo vereadores, representantes dos governos municipal e estadual e empresas de telecomunicações para abordar a crescente problemática do furto de cabos elétricos. O encontro foi promovido por iniciativa do vereador Subtenente Eliabe Marques (PL).
Marques enfatizou a gravidade da situação, que se repete em diversas regiões do Brasil, gerando prejuízos tanto para a população quanto para as empresas. “É um problema que afeta a todos nós, causando transtornos e tirando o sossego das pessoas. Não me refiro apenas aos prejuízos financeiros, que já são enormes, mas também ao impacto na qualidade de vida. Com certeza, juntos, podemos criar uma força-tarefa permanente para combater esse crime recorrente”, afirmou.
Durante a audiência, o coronel Francisco Araújo, secretário estadual de Segurança Pública, informou que há um trabalho colaborativo entre diferentes órgãos de segurança para monitorar os locais de comércio de cobre e fios. “Por ser considerado um delito de menor potencial ofensivo, o policial faz a prisão, mas o suspeito é liberado conforme a legislação. Trabalhamos em parceria com empresas que estão desenvolvendo formas de identificar seu material, para que possa ser reconhecido em fiscalizações”, explicou.
Os secretários municipais Felipe Alves, da Semsur, e Samara Trigueiro, da Semdes, também participaram do debate e ressaltaram ações estratégicas em parceria com a Secretaria de Segurança do Estado. “Estimamos que, somente neste ano, cerca de 16 mil metros de cabos foram furtados em Natal. Percebemos que, quando ocorrem operações, há uma redução dos casos, mas é preciso discutir a legislação, que ainda é muito branda”, destacou Alves.
A Neoenergia Cosern, responsável pela distribuição de energia no estado, revelou que mais de 500 mil unidades consumidoras enfrentaram interrupções no fornecimento em 2024 devido a esses crimes. “Não é um prejuízo apenas para a empresa. São situações que afetam residências, escolas, hospitais. Mensalmente, repassamos informações detalhadas dessas ocorrências, incluindo georreferenciamento, para as autoridades”, comentou o superintendente da companhia, Osvaldo Tavares.
Na Câmara, tramita um projeto de lei de autoria do vereador Kleber Fernandes (Republicanos), que visa a criação de um cadastro municipal dos estabelecimentos que realizam a compra e venda de sucatas e materiais recicláveis. “A ideia é exigir toda a documentação necessária, além da identificação dos vendedores desses materiais, com um registro detalhado das entradas e saídas das mercadorias dos últimos cinco anos. Isso facilitará investigações e ajudará a coibir essas práticas”, concluiu Fernandes.















