
O Brasil encerrou 2024 com um volume inédito de pedidos de demissão, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entre janeiro e setembro, mais de 6,5 milhões de trabalhadores solicitaram desligamento voluntário, número que representa aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados indicam que jovens entre 18 e 24 anos responderam por 30% dos desligamentos a cada 100 registros, com protagonismo da geração Z.
Embora a remuneração siga como fator relevante, o estudo aponta mudança no comportamento dos trabalhadores. A flexibilidade passou a ocupar posição central nas decisões, especialmente a possibilidade de atuar em regime de home office. Outros aspectos também ganham peso, como reconhecimento profissional, ambientes de trabalho menos estressantes e lideranças mais qualificadas.
No Rio Grande do Norte, tradicionalmente marcado por menor rotatividade, empresas de médio e grande porte também passaram a observar maior circulação de profissionais. A avaliação é da especialista em Recursos Humanos Gabriella Saldanha, pró-reitora de Graduação e Pós-Graduação da Estácio, que associa o movimento ao aquecimento do mercado e à ampliação de vagas remotas.
“O trabalhador norte-rio-grandense passou a demonstrar maior disposição para mudança quando percebe desalinhamento entre esforço, remuneração e reconhecimento. Há também um comportamento crescente de migração para oportunidades remotas, muitas vezes fora do estado, o que amplia a concorrência por talentos locais”, avalia Gabriella.
Segundo a especialista, o cenário exige ajustes por parte das empresas que buscam manter equipes estáveis e competitivas no estado.
“As organizações precisam investir, de forma consistente, em liderança, comunicação e cultura organizacional. Práticas como escuta ativa, feedbacks frequentes, planos de desenvolvimento individual, reconhecimento justo e coerente, além de benefícios alinhados às reais necessidades dos colaboradores, são fundamentais. Mais do que reter pessoas, é preciso criar ambientes onde elas queiram permanecer. Um clima organizacional saudável e líderes preparados para gerir pessoas são hoje os principais antídotos contra a rotatividade”, conclui Gabriella Saldanha.












