
O número de golpes aplicados por criminosos que se passam por advogados tem crescido em todo o Brasil. Usando nomes verdadeiros, números de inscrição na OAB e até processos reais de advogados, os golpistas abordam vítimas em redes sociais, aplicativos de mensagens e por e-mail, prometendo ganhos judiciais em troca do pagamento de taxas falsas. O objetivo é obter dinheiro e informações sigilosas.
De acordo com o advogado Jeoás Santos, que já teve sua identidade utilizada por estelionatários em diversas ocasiões, essa prática tem se tornado cada vez mais comum e sofisticada.
“Já tive meu nome, número de inscrição na OAB e dados de meus processos usados por golpistas em inúmeras ocasiões diferentes. Eles criam perfis falsos em redes sociais, WhatsApp e e-mails, abordando vítimas com promessas de ganhos rápidos de processos que ainda estão em tramitação, em alguns casos, ainda sem decisão judicial, informam uma falsa decisão e prometem ganhos, mediante o pagamento de taxas judiciais. É essencial que advogados e clientes adotem medidas preventivas”, relata.
Como os golpes acontecem
Os criminosos costumam falsificar documentos, criar perfis nas redes sociais e enviar mensagens se passando por advogados. Eles informam supostas decisões judiciais favoráveis e solicitam o pagamento de taxas como condição para liberar valores, alegando prazos urgentes e risco de perda do “direito”.
As abordagens geralmente ocorrem via WhatsApp, Instagram, Facebook ou e-mail, utilizando nomes e fotos reais dos profissionais.
Como se proteger
Para evitar cair nesse tipo de fraude, é essencial adotar alguns cuidados básicos:
- Estabelecer uma forma oficial de comunicação entre cliente e advogado
- Verificar se os contatos recebidos partem de canais oficiais do profissional
- Confirmar a identidade do advogado por outros meios confiáveis
- Nunca fazer pagamentos sem contrato formal ou sem verificar o destinatário
- Desconfiar de pedidos urgentes ou fora do padrão de atendimento
- Evitar o envio de documentos pessoais sem confirmação da identidade do receptor
Além disso, o advogado Jeoás Santos orienta que os profissionais também tomem medidas preventivas.
“É importante que sempre verifiquem se a sua situação junto à OAB está regularizada, sempre façam um monitoramento de marca pessoal com buscas no Google e nas redes sociais regularmente com seu nome e número de inscrição, deixem sempre claro para seus clientes e em seus canais os meios oficiais de comunicação (e-mail corporativo, telefone do escritório) e como recebem pagamentos. Também é muito importante comunicar as violações imediatamente com o registro de um Boletim de Ocorrência (BO), a notificação à OAB local para que seja orientado sobre medidas cabíveis e alerte em seu site e redes sociais em caso de fraudes”, destaca.
Crime com pena de prisão
Fingir ser advogado para aplicar golpes configura crime de estelionato ou falsidade ideológica. A pena pode chegar a oito anos de prisão, além de ações por danos morais e materiais.
“Além dos prejuízos financeiros, esses golpes mancham a imagem da advocacia e abalam a confiança da população. Os advogados devem agir proativamente e os clientes precisam checar sempre a identidade de quem os representa. Não podemos facilitar a ação desses criminosos”, alerta Jeoás Santos.
Ações de combate
Por se tratar de uma prática que tem se espalhado por diferentes estados, o tema já é acompanhado pela Polícia Federal e pelo Conselho Federal da OAB, que atuam em conjunto para investigar e coibir esses crimes.
“Como tenho atuação nacional, já fui vítima da tentativa desse golpe com vários clientes em vários estados. Mas a atuação preventiva, a informação rápida nas redes sociais e a lista de transmissão de clientes pelo WhatsApp tem sido uma defesa eficiente contra os golpes”, conclui Jeoás.
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