
A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a revisar o cenário político no Congresso e mapear votos contrários dentro da própria base aliada. Em reunião realizada na noite de quarta-feira (29), no Palácio da Alvorada, ministros e aliados analisaram o resultado da votação no Senado.
Durante o encontro, integrantes do governo apontaram dissidências em partidos como MDB e PSD. Segundo relatos de participantes, a articulação contrária foi atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com menções também à atuação do senador Rodrigo Pacheco e do ministro Alexandre de Moraes. A avaliação interna indica um movimento coordenado para barrar a indicação e evitar alterações na composição de forças da Corte.
Nos bastidores, divergências políticas já vinham sendo registradas antes da votação. Rodrigo Pacheco era citado como possível nome para a vaga no STF, enquanto o presidente Lula trabalhava com a hipótese de lançá-lo como candidato ao governo de Minas Gerais. A escolha de Jorge Messias ocorreu após negociações, mas seguiu enfrentando resistência entre lideranças do Senado.
Interlocutores do governo também levantaram suspeitas sobre integrantes do MDB. Foram mencionados os nomes do senador Renan Calheiros e do ministro dos Transportes, Renan Filho, como possíveis responsáveis por votos contrários. A leitura entre aliados é de que a posição teria relação com a disputa pela vaga no Supremo, que também despertava interesse do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.
Diante do resultado, integrantes do governo discutem possíveis desdobramentos, incluindo mudanças na composição ministerial. Entre as hipóteses analisadas está a exoneração de indicados ligados a Davi Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira, das Comunicações. Apesar disso, o presidente Lula adotou tom cauteloso durante a reunião e defendeu uma avaliação mais detalhada antes de qualquer decisão.
Jorge Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários no Senado, número insuficiente para aprovação. Após a votação, o presidente entrou em contato com o advogado-geral da União e manifestou apoio. Segundo aliados, a orientação é de que eventuais medidas sejam tomadas após o feriado, com base em um diagnóstico mais preciso sobre o comportamento da base governista.
No Congresso, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o momento exige cautela na condução política. Durante a tramitação, ele havia indicado expectativa de aprovação da indicação. Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também conversou com o presidente antes da votação e avaliava um cenário favorável, que não se confirmou no plenário.













