
O Governo Federal está reforçando as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais diante da possibilidade de um novo episódio do fenômeno climático El Niño nos próximos meses. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), quase R$ 600 milhões foram destinados aos corpos de bombeiros que atuarão em áreas da Amazônia, Cerrado e Pantanal.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (9) pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante entrevista ao programa A Voz do Brasil. De acordo com ele, mais de 4,6 mil profissionais federais estarão mobilizados para monitoramento e enfrentamento de focos de incêndio.
“São mais de 4.630 profissionais do Governo Federal que vão estar monitorando e atuando nas frentes de incêndio. Este ano, fizemos repasse para vários estados da região do Cerrado brasileiro e Pantanal. Então, nós temos, somando para a Amazônia com o Cerrado e Pantanal, mais de R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que foram investidos nos corpos de bombeiros”, afirmou o ministro.
As ações integram um plano de preparação iniciado em janeiro, quando o governo passou a acompanhar indicadores climáticos e projeções meteorológicas para subsidiar estratégias de prevenção. O monitoramento segue sendo realizado em parceria com especialistas e instituições responsáveis pela análise das condições atmosféricas.
Segundo Capobianco, os estudos apontam para o fortalecimento dos sinais de um novo El Niño, fenômeno que pode provocar alterações importantes no regime de chuvas em diferentes regiões do país.
“Temos aí os maiores especialistas, os grandes meteorologistas brasileiros, trabalhando em parceria com o Governo Federal, monitorando reuniões mensais e estamos verificando, infelizmente, que os indícios de que será um El Ninho forte estão crescendo”, declarou.
Impactos climáticos previstos
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a expectativa é de que o fenômeno provoque períodos de estiagem mais prolongados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, afetando biomas como Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal.
Por outro lado, os estados da Região Sul poderão enfrentar chuvas acima da média, aumentando o risco de alagamentos e enchentes.
Diante desse cenário, o governo pretende ampliar a capacidade operacional para resposta rápida aos incêndios florestais, incluindo o reforço das brigadas especializadas.
“Então, o que nós estamos fazendo? Atuando de forma preventiva, de várias frentes. A primeira frente importante é o aumento da capacidade do Governo Federal de fazer frente aos incêndios florestais. Nós teremos, esse ano, o maior número de brigadistas atuando no enfrentamento”, destacou o ministro.
Governo pede apoio da população
Durante a entrevista, Capobianco também alertou para a necessidade de participação da sociedade na prevenção de queimadas, especialmente durante o período mais seco do ano.
“Não use fogo. O fogo, muitas vezes, é usado no Brasil para queima de lixo, para limpar um pasto, para abrir um terreno. O problema é que, na situação que nós vamos enfrentar, isso se torna incontrolável”, explicou.
O ministro ressaltou que o combate aos focos ainda em estágio inicial reduz os riscos de propagação e facilita o trabalho das equipes especializadas.
“Portanto, é importantíssimo que a sociedade esteja atenta. Não use fogo a partir agora de junho”, acrescentou.
Política nacional e redução das áreas queimadas
Desde 2023, o governo federal vem implementando medidas voltadas à prevenção e ao controle dos incêndios florestais. Entre elas está a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2024.
A legislação estabeleceu mecanismos de coordenação entre governos federal, estaduais e municipais, além da participação de proprietários rurais, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil.
Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontam que a área queimada no Brasil em 2025 ficou 39% abaixo da média registrada entre 2017 e 2024.
Nos principais biomas, a redução observada foi:
- Pantanal: 91%;
- Amazônia: 75%;
- Mata Atlântica: 58%;
- Pampa: 45%.
O governo avalia que o fortalecimento das ações preventivas e a ampliação da estrutura de resposta serão fundamentais para enfrentar os efeitos climáticos previstos para o segundo semestre deste ano.













