
O Ministério da Fazenda, em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional e o Banco do Brasil, lançou nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo título do Tesouro Direto voltado à formação de reserva financeira. O investimento pode ser realizado a partir de R$ 1 e terá rentabilidade vinculada à taxa Selic.
A iniciativa busca ampliar o acesso da população a investimentos de renda fixa considerados seguros e de fácil utilização, oferecendo uma alternativa à poupança, aos CDBs e às chamadas caixinhas digitais.
O título começou a ser disponibilizado em fase de testes para clientes do Banco do Brasil na última quinta-feira (7). Nesta segunda, a B3 marcou o início oficial da oferta ao público.
Segundo o Governo Federal, o Tesouro Reserva foi desenvolvido para simplificar o investimento em títulos públicos. Diferentemente do Tesouro Selic tradicional, o novo produto elimina os efeitos da marcação a mercado, mecanismo que altera diariamente o valor dos títulos conforme as expectativas econômicas. Na prática, isso garante mais previsibilidade ao investidor no momento do resgate.
O Tesouro Reserva possui vencimento em três anos, mas permite saques a qualquer momento, sem descontos sobre o valor aplicado. O produto também oferece movimentação todos os dias da semana, incluindo transferências via PIX.
“Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs”, afirmou Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
A rentabilidade será atrelada à Selic, atualmente em 14,50% ao ano. O percentual exato de remuneração ainda não foi detalhado pelas instituições responsáveis.
Por ser um título público emitido pelo Governo Federal, especialistas classificam o investimento como de baixo risco. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o produto foi pensado para investidores que buscam “rentabilidade, mas também querem segurança”.
Atualmente, o investimento está disponível para clientes do Banco do Brasil. Segundo o Ministério da Fazenda, outras instituições financeiras poderão oferecer o produto futuramente, conforme adesão ao sistema.
Especialistas avaliam que o Tesouro Reserva deve competir diretamente com produtos de renda fixa já populares entre os brasileiros. Entre eles estão:
- CDBs: investimentos de renda fixa emitidos por bancos;
- LCIs: títulos voltados ao financiamento do setor imobiliário;
- LCAs: aplicações ligadas ao agronegócio;
- caixinhas digitais: ferramentas automáticas de investimento oferecidas por bancos digitais.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, ponderou que “o desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”.
A taxa de custódia do novo produto ainda não foi divulgada pela B3. Atualmente, outros títulos do Tesouro Direto possuem cobrança próxima de 0,20% ao ano.
Para Marcos Praça, o Tesouro Reserva surge como alternativa competitiva para a formação de reserva de emergência. “Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, concluiu.













