
Enquanto o Halloween ganha cada vez mais força como uma data celebrada no Brasil ao longo do mês de outubro, cresce também a oportunidade de prestigiar o audiovisual nacional voltado para o terror, o mistério e o fantástico.
Vale lembrar que, no calendário brasileiro, o dia 31 de outubro também é reconhecido como o Dia do Saci, criado a partir do projeto de lei federal nº 2.762/2003. A data busca valorizar personagens do folclore nacional e pode ser um ótimo pretexto para conhecer produções que exploram esse universo mágico à maneira brasileira.
Para o macauense José Félix, editor de vídeo e fotógrafo, prestigiar produções brasileiras é essencial para fortalecer nossa identidade cultural.
“Prestigiar produções brasileiras, especialmente as que falem do Brasil para o brasileiro, é ou deveria ser uma forte expressão de patriotismo”, afirma.
Segundo ele, o cinema e a televisão têm um papel fundamental na construção da identidade de um país, e o público brasileiro pode contribuir diretamente assistindo, comentando e divulgando essas obras.
O amante da sétima arte acredita ainda que o Brasil pode seguir um caminho semelhante ao de países como Coreia do Sul e Japão, que transformaram suas produções culturais em fenômenos mundiais, desde que o público abrace mais o que é feito aqui — inclusive no horror.
“Nosso audiovisual é motivo de orgulho nacional, não só por obras que ganham validação no exterior, mas por aquelas que dialogam conosco.”
O Brasil do mistério e da magia
A criação de um “folclore cinematográfico” próprio — com figuras como o Saci, a Cuca ou o Lobisomem — já está em curso. Segundo o editor, existem diversas produções brasileiras de terror e fantasia que merecem mais destaque.
“É necessário reconhecer, entretanto, que essas produções dificilmente encontram meios para serem alçadas a patamares mais altos de realização e, sobretudo, de distribuição.”
Para ele, o Brasil é um cenário perfeito para o gênero, com uma cultura híbrida e riquíssima em lendas indígenas, afro-brasileiras e populares.
“É importante não cairmos em um ‘regionalismo’ caricato, que marginalize ou desrespeite essas tradições”, completa.
5 séries brasileiras para entrar no clima do Halloween
Para quem quer aproveitar o mês de outubro imerso nos gêneros fantasiosos — mas sem abrir mão da identidade nacional —, reunimos cinco séries brasileiras disponíveis nos principais streamings que mostram o potencial criativo do país nos gêneros de horror e fantasia.
- Cidade Invisível | Netflix (2021)

Um drama policial com toques sobrenaturais, que introduz o espectador ao folclore brasileiro por meio de personagens como a Cuca e o Saci. Um dos maiores sucessos brasileiros da Netflix.
Criação: Carlos Saldanha | Elenco: Marco Pigossi, Alessandra Negrini
- Vermelho Sangue | Globoplay (2025)

Ambientada no Cerrado mineiro, acompanha Luna, jovem que se transforma em loba-guará, e Flora, que deseja viver o extraordinário. Uma narrativa fantástica com forte identidade brasileira.
Elenco: Leticia Vieira, Alanis Guillen
- Desalma | Globoplay (2020)

Mistérios, mitologia eslava e drama familiar se misturam em uma cidade marcada por rituais sobrenaturais. Um terror psicológico denso e original, com direção e elenco de peso.
Criação: Ana Paula Maia | Elenco: Cassia Kis, Cláudia Abreu, Maria Ribeiro
- Reencarne | Globoplay (2025)

A estreia de Taís Araújo no terror explora temas como possessão, alma e desejo, entre assassinatos e experiências espirituais. Uma trama que mistura o físico e o sobrenatural.
Elenco: Taís Araújo, Enrique Diaz, Simone Spoladore
- A Magia de Aruna | Disney+ (2023)

Voltada ao público jovem, a série apresenta Mima, uma adolescente que desperta bruxas do passado e parte em uma missão para restaurar a magia no mundo. Com forte elenco feminino e visuais encantadores.
Elenco: Giovanna Ewbank, Cleo, Erika Januza
Audiovisual nacional
O Brasil já tem os ingredientes necessários para construir um universo próprio de fantasia e terror. Para o macauense, o público tem um papel central nesse processo: assistir, recomendar e celebrar o que é produzido aqui.
“O brasileiro gosta de cinema. O jovem brasileiro também. Mas precisamos lutar para que os filmes aconteçam e cada vez mais aconteçam fora do eixo Sudeste e fora da lógica dessas plataformas.”
Enquanto novos projetos não ganham a projeção que merecem, apoiar e divulgar as séries que já existem é uma forma poderosa de manter viva a magia — e mostrar que o terror e a fantasia à brasileira têm tudo para conquistar o mundo.
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