
O avanço da desertificação no semiárido do Rio Grande do Norte preocupa autoridades, pesquisadores e movimentos sociais. Regiões como o Seridó, o Oeste e o Alto Oeste já enfrentam perda acentuada da vegetação nativa da Caatinga, erosão do solo e risco de se tornarem áreas áridas, com impactos diretos sobre a biodiversidade, os recursos hídricos e a vida de milhares de famílias.
Para chamar atenção internacional sobre esse cenário, o superintendente do Ibama no Rio Grande do Norte, Rivaldo Fernandes, entrega nesta quarta-feira (25) uma carta ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), pedindo que o tema da desertificação no semiárido nordestino seja tratado como prioridade no encontro global que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).
“Estamos lutando contra um processo silencioso e devastador, que ameaça transformar o semiárido potiguar em um deserto. Este não é apenas um problema regional, mas uma questão global de justiça climática e de direitos humanos”, afirmou Fernandes.
A chamada “Carta de Natal” é resultado de um seminário promovido pelo Ibama no último dia 17 de junho, em Natal, com a presença da governadora Fátima Bezerra e representantes de instituições públicas, privadas, universidades, movimentos sociais, prefeituras e entidades da sociedade civil.
No documento, o Ibama solicita que os compromissos internacionais assumidos na COP30 incluam:
- Financiamento de projetos de restauração ecológica no semiárido;
- Apoio ao manejo sustentável da Caatinga;
- Incentivo à transição de modelos econômicos predatórios para atividades sustentáveis;
- Reconhecimento da desertificação como tema central na agenda climática global.
Durante o seminário, a governadora Fátima Bezerra defendeu urgência na criação do Fundo de Financiamento em Defesa da Caatinga, aprovado recentemente pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. “A Caatinga não é um bioma qualquer: é o único bioma exclusivamente brasileiro. Ela tem um papel fundamental no equilíbrio climático. E para que a gente possa conter o desmatamento, recuperá-la e preservá-la, tornam-se necessários recursos financeiros, daí a importância do Fundo de Financiamento”, declarou.

Entre as áreas com desertificação em nível mais grave (nível 3), Rivaldo Fernandes citou municípios do Seridó potiguar como Acari, Carnaúba dos Dantas, Cruzeta, Currais Novos, Equador e Parelhas. Segundo ele, nesses locais o solo está “bastante castigado”, o que, somado às condições climáticas da região, pode acelerar a conversão em áreas desertas.
Werner Farkatt, diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), reforçou a necessidade de união entre os diversos setores da sociedade para enfrentar a degradação ambiental. “Nós precisamos ter essa consciência de que nossos espaços estão mudando e as pessoas que ocupam esses espaços precisam ter qualidade de vida, ter toda essa relação com o ambiente como um todo”, destacou.
A expectativa do Ibama é que o debate sobre os biomas secos, especialmente a Caatinga, ganhe protagonismo nas discussões da COP30, que terá o Brasil como anfitrião. A proposta é posicionar o semiárido nordestino no centro das políticas climáticas globais.













