
O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), por meio do Campus Natal – Zona Leste (IFRN/ZL), iniciou a oferta de cursos de pós-graduação para alunos do sistema prisional. A iniciativa, inédita no estado, integra o Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido e tem como objetivo promover qualificação profissional e contribuir para a reintegração social.
De acordo com a coordenadora do curso, Narla Sathler Musse de Oliveira, a iniciativa surgiu a partir da demanda de alunos que já tinham acesso à graduação por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB). “O IFRN/ZL, em parceria com o sistema UAB, iniciou neste ano de 2025 a oferta de cursos de pós-graduação para esse público, ampliando o acesso à educação e fortalecendo a formação de profissionais capacitados para atuar na educação ambiental e no contexto do semiárido”, explica.
O curso e sua estrutura
A especialização em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido tem carga horária de 400 horas, composta por disciplinas teóricas e um trabalho de conclusão de curso. A rotina de estudos nas unidades prisionais inclui atividades síncronas e assíncronas, com suporte de professores e da Comissão Científica de Acompanhamento da Educação Prisional.
Para viabilizar o aprendizado dentro do sistema prisional, a metodologia do curso conta com flexibilidade pedagógica. “Devido às particularidades do sistema prisional, é necessário pensar estratégias que permitam o acesso adequado ao conteúdo e aos equipamentos. A flexibilidade deve ser a palavra norteadora do fazer pedagógico para esse público”, pontua Narla Sathler.
A implementação do programa enfrenta desafios como infraestrutura tecnológica limitada e a necessidade de adaptação ao ambiente prisional. Apesar disso, a coordenadora destaca que o projeto tem potencial para transformar vidas. “A educação permite que essas pessoas compreendam seu papel na sociedade e no mundo, tornando-se agentes de transformação social de forma responsável e consciente”, afirma.
Atualmente, o curso é oferecido em polos de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Caraúbas, contando com sete alunos do sistema prisional matriculados. O Campus ZL, reconhecido pela atuação na educação a distância e na formação de professores, desempenha um papel essencial na acessibilidade e na eficiência do ensino para esse público.
Além de proporcionar qualificação profissional, o programa contribui para a reinserção social dos participantes. Para Narla Sathler, a iniciativa fortalece a dignidade dos alunos e inspira outras instituições a investir na educação prisional. “Precisamos compartilhar essas experiências para inspirar outras instituições a investir em educação prisional e garantir que mais pessoas privadas de liberdade tenham acesso ao ensino superior”, reforça.
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